Tucanos tentam impedir que Alckmin seja atingido por caso de Aécio

76232979_BSB - Brasília - Brasil - 16-04-2018 - PA - O senador Aécio Neves PSDB-MG quando chega.jpg

BRASÍLIA — O clima entre os tucanos que se reúnem nesta terça-feira em Brasília com o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, é de tristeza diante da certeza de que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) irá transformar “o companheiro” Aécio Neves (PSDB-MG) em réu, em função da delação do empresário Joesley Batista. Entretanto, há uma estratégia de não deixar o episódio contaminar a campanha presidencial, fazendo uma separação clara entre o processo do mineiro e o partido.

Na segunda-feira, Aécio disse que a condição de réu, se for confirmada nesta terça, não significa culpa ao final do processo. E uma candidatura a reeleição ou a outro cargo será decidida por seu grupo político de Minas Gerais.

Senadores do partido adotaram o discurso de que a situação de Aécio é de caráter “pessoal”:

— Esse é um assunto privado do senador Aécio Neves e nada tem a ver com o partido. Temos que separar o público do privado. O julgamento hoje nos deixa numa situação de dificuldade dada a relação pessoal que temos com ele. Não é nada relacionada a sua atividade legislativa, como senador. O caso trata da venda de um imóvel. Cabe a Justiça examinar e fazer justiça — disse o senador Roberto Rocha (PSDB-MA), candidato ao governo do Maranhão, que acertou a ida de Alckmin a São Luis no próximo dia 05 de maio para o primeiro evento da campanha no Nordeste.

— Aécio é companheiro né? Bate uma tristeza! Mas a Justiça deverá ser feita para condenar ou absolver. Será um julgamento fora do partido, é um problema pessoal do senador Aécio, que está tendo toda a liberdade para se defender — defendeu o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), que será o candidato do partido ao governo do Tocantins

Na saída do encontro com Alckmin, para tratar de agenda de campanha em seus estados, senadores reclamaram também de uma suposta cobrança para que lideranças do PSDB também sejam condenadas para compensar a prisão do ex-presidente Lula, do PT.

— Tem muito justiceiro nessa estória, tem que ter cautela. Porque Lula está preso tem que prender um do PSDB ou de outro partido? Querem jogar todo mundo na vala comum — reclamou Roberto Rocha, que completou: — Estamos entrando num caminho muito ruim, de criminalização da política. Ou resolvemos os problemas na política ou na porrada. Sem a política é voltar a barbárie, ao tempo das cavernas.

Nos encontros desta terça, Geraldo Alckmin discutiu com os senadores a agenda nos estados e as disputas majoritárias. O Tocantins, por exemplo, pode ter quatro eleições esse an se o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o afastamento do governador Marcelo Miranda (PMDB). Ataides irá disputar a eleição suplementar , qu deve ter dois turnos, e depois disputar a reeleição ou nova eleição em outubro, também em dois turnos.

O tucano articula a formação de uma aliança com o PMDB de Marcelo Miranda, com o DEM, PV e PSC. A senadora Kátia Abreu , que se filiou ao PDT, não cumpre o prazo de filiação de seis meses e portanto ficará de fora dessa eleição suplementar. Masa deve ser a candidata ao governo na chapa de Ciro Gomes em outubro.

— O Tocantins está um verdadeiro ninho de guacho. Mas vamos desatar esse ninho aos poucos — disse Ataides Oliveira.

Além dos encontros políticos, Geraldo Alckmin está reunido com o advogado do partido, José Eduardo Alckmin, que responde pela parte eleitoral e também criminal do PSDB. Junto com Alberto Toron, ele também integra a defesa de Aécio Neves. O advogado nega que tenha vindo tratar da transferência do processo de Geraldo Alckmin, em que um delator o acusa de ter recebido , através do cunhado Adhemar Cesar Ribeiro, R$10.7 milhões para as campanhas de 2010 e 2014, para a Justiça Eleitoral. Alckmin nega que tenha usado doações não contabilizadas em suas campanhas.

— Não vim tratar nem de Aécio nem da transferência para a Justiça Eleitoral. Vim tratar de assuntos mais toscos — brincou o advogado José Eduardo Alckmin, que é primo de Geraldo.

No momento do julgamento de Aécio, a tarde, Alckmin estará em um evento de campanha em Brasília. Fará uma palestra na 6ª Mobilização Nacional de Vereadores, da Associação Brasileira de Câmaras Municipais com o tema “As perspectivas para o Brasil 2018”.


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