Trump confirma suspensão de exercícios militares conjuntos

SEUL E WASHINGTON — O presidente americano, Donald Trump, se
comprometeu nesta quarta-feira a suspender indefinidamente os exercícios
militares conjuntos com a Coreia do Sul, mantendo a promessa feita após a cúpula
com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em Cingapura, no início da semana. Em
fevereiro, durante a realização das Olimpíadas de Inverno na cidade sul-coreana
de PyeongChang, os
Estados Unidos já haviam concordado em adiar a realização dos exercícios
conjuntos, considerados uma preparação para a guerra pela Coreia do Norte, numa
tentativa de reduzir as tensões na península.Os exercícios militares, que envolvem navios, aviões e milhares de soldados
vêm sendo conduzidos na Península Coreana há décadas, e foram temporariamente
suspendidos entre 1994 e 1996, numa tentativa de fortalecer diálogos
diplomáticos entre as Coreias, que acabou fracassando. A nova suspensão foi
encarada como uma concessão aos norte-coreanos, que por sua vez se comprometeram
a trabalhar pela “desnuclearização completa da península” LEIA MAIS: Trump minimiza violações dos direitos humanos no regime da Coreia do NorteCoreia do Sul concorda em revisar exercícios militares com EUAArtigo: Kim dá passo à frente em relação a seus antecessoresArtigo: Trump pode conquistar apoio político sem um real progresso no comércio e na Coreia do Norte?O Pentágono destacou a importância de manter tropas americanas e sul-coreanas
de prontidão como instrumentos de defesa no caso de um ataque da Coreia do
Norte, que mantém um efetivo de um milhão de soldados, além de milhares de
unidades de artilharia e lança-foguetes apontados para o sul da península. Em
sua coletiva após a cúpula, Trump sugeriu
que a suspensão dos exercícios poderia ser uma medida que ajudaria a economia
americana.— Vamos dar fim aos jogos de guerra, o que nos fará economizar uma tremenda
quantidade de recursos, a menos que percebamos que as futuras negociações não
estão seguindo como deveriam — afirmou o presidente.O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, foi um dos principais artífices do encontro
entre Kim e Trump, e ainda não se manifestou especificamente sobre a suspensão
dos exercícios, embora tenha afirmado que Seul precisará ser “flexível nas negociações”. No país, porém, muitos foram pegos de surpresa e se mostram
cautelosos com os planos de Trump, que
também declarou que gostaria de ver os soldados americanos “voltando para
casa”.— Isso não é parte da equação agora — afirmou Trump. — Em algum momento, certamente será, mas não
agora.Em comunicado, o Pentágono não comentou a decisão do presidente mas elogiou
“as notícias positivas vindas da cúpula e apoia integralmente os esforços
diplomáticos com a Coreia do Norte”. “Nossas alianças continuam sólidas e garantem a paz e a estabilidade na
região”, afirmou a nota.Escolhido pelo presidente americano, Donald Trump, para
ocupar o cargo de embaixador na Coreia do Sul, o almirante da reserva Harry Harris afirmou
que apoia a suspensão dos exercícios, mas disse acreditar que manobras de
prontidão continuarão a ser realizadas em menor escala.— Acredito que devemos interromper os principais exercícios para ver se Kim Jong-un está
falando sério e fazendo sua parte — afirmou Harris, que disse acreditar que o “mundo está numa
posição completamente diferente” desde a cúpula. — Mas o vice-presidente afirmou
que os exercícios de prontidão irão continuar. Podemos ter esperanças e até
mesmo ser otimistas, desde que também sejamos realistas. E estou convencido de
que esse governo leva o realismo no coração.
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