Setor de serviços responde por 50% do PIB de João Pessoa, o maior PIB da Paraíba



Com um PIB de R$ 18,3 bilhões, João Pessoa lidera a economia do estado por grande mercado consumidor e área industrial na Região Metropolitana. Região Metropolitana de João Pessoa se destaca por pólo cimenteiro
Francisco França/Jornal da Paraíba/Arquivo
Com potencial para chegar economicamente bem ao seu primeiro milhão de habitantes, mas dona de um Produto Interno Bruto (PIB) que é totalmente dependente do setor de serviços, responsável por pouco mais de 50% de todas as riquezas produzidas, a cidade de João Pessoa ainda é a locomotiva que puxa a economia paraibana. O PIB de João Pessoa, aferido em R$ 18,3 bilhões pelo IBGE, é um pouco maior que o dobro da segunda economia paraibana, Campina Grande (R$ 7,9 bilhões).
A capital lidera ainda que a cidade do Agreste paraibano seja reconhecidamente mais industrializada – para fins comparativos, enquanto a indústria na capital corresponde a um terço do montante gerado pelo setor de serviços, em Campina Grande o setor industrial é metade dos valores gerados pelo setor de serviços.
Para Wanderleya Farias, professora de Economia da UFPB e coordenadora do projeto de Extensão Diagnóstico Socioeconômico e Ambiental de Municípios Paraibanos, a liderança pessoense na economia da Paraíba está intimamente ligada ao tamanho da população da capital paraibana e da estrutura montada em sua Região Metropolitana.
“A liderança do PIB pessoense no ranking estadual está associada à dimensão do seu mercado de consumo e às economias de aglomeração já existentes no seu setor produtivo que estimulam a vinda de novos empreendimentos para a cidade”, explicou.
Dados do IBGE em 2015 indicavam que o setor de serviços detinha 50,2% do Produto Interno Bruto municipal. A indústria ocupava o 2º lugar, com 18,7%, enquanto a administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social representavam 18,3%. Em contrapartida, a agropecuária era o setor com a menor participação percentual, de apenas 0,1%.
Wanderleya Farias explica que a pouca participação da agropecuária é reflexo dos poucos espaços rurais existentes na cidade, tendo em vista a urbanização municipal. “Ainda encontramos poucas fazendas e sítios com atividades hortifrutigranjeiras que abastecem basicamente as feiras livres da cidade”, comentou.
A participação expressiva do setor de serviços não é considerado um cenário particular de João Pessoa, pelo que conta a professora de Economia Paraibana na UFPB. Segundo Wanderleya, se trata de uma dinâmica que está sendo constatada na maioria das grandes cidades brasileiras e do mundo.
“A reestruturação organizacional das grandes empresas, iniciada no Brasil desde a década de noventa, promoveu a terceirização de diversas etapas do processo de produção e liberou um expressivo contingente de força de trabalho que foi absorvido pelo terceiro setor”, explicou.
Dois distritos industriais
Diferentemente da maioria das cidades da região, João Pessoa dispõe de dois distritos industriais na Região Metropolitana: um às margens da BR-101 e outro no bairro de Mangabeira, na zona sul. Mas na prática, a particularidade não representa um impacto na multiplicação de renda e emprego. Wanderleya Farias destaca os tipos dos estabelecimentos instalados nessas áreas não favorecem na multiplicação do emprego e da renda.
“Na maioria dos casos, são unidades industriais do ramo de bebidas, calçados, movelaria, têxtil, entre outros, que fazem parte do setor de bens de consumo duráveis da indústria de transformação. Esses segmentos são tradicionalmente pouco intensivos em dotação de capital constante e inovações tecnológicas”, avaliou.
Embora não fique completamente dentro do município, mas integre a Região Metropolitana de João Pessoa, o distrito industrial às margens da BR-101, conseguiu formar um pólo de produção de cimento, mais especificamente na cidade do Conde, no Litoral Sul paraibano. Para atrair investimentos e fortalecer o setor de indústria na Paraíba, a Companhia de Desenvolvimento da Paraíba (Cinep) investiu na infraestrutura do distrito localizado no bairro de Mangabeira.
Distrito Indutrial de Mangabeira, em João Pessoa, passou por reformas no início de 2018
Felipe Ramelli/Cinep
Em março deste ano, de acordo com a Cinep, foram concluídas obras de drenagem, terraplenagem e pavimentação de mais de 70% de sua extensão do distrito industrial de Mangabeira. Ainda de acordo com a companhia, a intervenção foi uma demanda dos empresários cujos negócios eram prejudicados pela dificuldade na circulação de veículos de carga e pelos alagamentos recorrentes em dias de chuva. Atualmente estão em atividade no distrito industrial de Mangabeira aproximadamente 60 empresas.
Ainda conforme levantamento da Cinep, entre 2012 e junho de 2018, foram instalados 64 empresas em João Pessoa a partir de incentivos fiscais, concessão de crédito presumido do ICMS por meio do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Industrial da Paraíba (Fain), e locacionais, que é a venda de áreas industriais a preços inferiores aos praticados no mercado.
Emprego e renda
Segundo os dados do Ministério do Trabalho (Caged), a quantidade de admissões realizadas pelas empresas superou os desligamentos entre 2007 e 2014. O setor da construção civil impulsionou a expansão das oportunidades de emprego nesses anos considerados.
No período de 2006 e 2016, de acordo com Cinep, a criação de emprego em João Pessoa é reflexo do crescimento no estado. Conforme levantamento da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), os empregos nos setores da indústria de transformação, construção civil, comércio e serviços cresceram percentualmente mais que a região Nordeste.
Turismo para desenvolver
João Pessoa apresenta potencial econômico no setor de turismo. Nos últimos cinco anos, a capital paraibana tem alcançado posição de destaque nos destinos mais procurados no Nordeste. Em janeiro de 2017, o contingente de turistas na cidade foi de 146.877 pessoas, de acordo com Wanderleya Farias, baseada em dados levantados pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas Econômicas e Sociais da Paraíba.
Centro de Convenções de João Pessoa aqueceu o turismo de negócios
Walter Rafael/Secom-PB
“É importante frisar que o turismo de negócios aparece como uma oportunidade de expansão na fase de baixa temporada”, comentou a professora de economia.
A inauguração do Centro de Convenções de João Pessoa contribuiu diretamente para que o turismo de negócios fosse implementado. Segundo dados da Cinep, em dez anos (2007 a 2017), o número total de turistas que visitam João Pessoa cresceu de 1.151.076 para 1.832.891, representando um crescimento de 59% no período.
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