'Questão de tradição', diz aluna do Liceu Paraibano; escola é marco na urbanização de João Pessoa 

Prédio atual se tornou a sede do Liceu Paraibano no fim da década de 30. Escola sempre foi referência para Paraíba. Escola Liceu Paraibano, no Centro de João Pessoa
Dani Fechine/G1
No fim da década de 30, o prédio do Liceu Paraibano era inaugurado em João Pessoa como parte do projeto de urbanização da capital, que começou com o Parque Solón de Lucena, hoje Parque da Lagoa, e se expandiu para a Avenida Getúlio Vargas, dando forma também à Avenida Epitácio Pessoa. Agora, em 2018, a escola, que já era referência na época, continua escrevendo a história. “É questão de tradição”, diz Karla Oliveira, de 16 anos, estudante do Liceu.
A justificativa para os jovens que conseguiram uma vaga na disputada escola do estado, é simples. “Professores concursados, estrutura de qualidade, tradição e referência”, são unânimes. Além disso, lembram-se sempre de nomes importantes que passaram pelos registros de matrículas da escola.
O colégio passou por vários prédios. A atual estrutura do Liceu Paraibano data o ano de 1936. Antes disso, a escola funcionou, por exemplo, no atual Palácio da Redenção e no antigo Seminário dos Jesuítas. Por esses prédios e também na atual sede, passaram artistas e políticos. O economista Celso Furtado, o próprio João Pessoa, o ambientalista Lauro Pires Xavier e o poeta Augusto dos Anjos, que além de aluno também foi professor.
Prédio do Liceu Paraibano quando era Instituto de Educação
GPCES/Acervo
Celso Furtado foi aluno na década de 30, quando o colégio ainda funcionava no antigo Seminário dos Jesuítas. Quem também fez história no Liceu Paraibano foi a cantora Elba Ramalho e a atriz Zezita Matos.
“Quando você sai do fundamental, o direcionamento que você tem é sempre o Liceu, pelo nome, pela referência na educação, na estrutura, na qualidade. Todo mundo vem para esse caminho. É uma escola tradicional, tem nome, acessibilidade, tem histórico de fenômemos que passaram por aqui”, diz Karla Oliveira.
No entanto, nem sempre o Liceu foi espaço para mulheres como Karla. Até o fim da década de 30 e início da década de 40, o Liceu Paraibano era a escola dos meninos, enquanto a Escola Normal funcionava apenas para garotas.
Parque Solón de Lucena nas décadas 30-40
GPCES/Acervo
Liceu Paraibano no contexto da urbanização de João Pessoa
De acordo com a pesquisadora Doralice Maia, a ideia de construir o Liceu está ligada à urbanização da cidade de João Pessoa. O prédio foi construído, inicialmente, para abrigar o Instituto de Educação, que iria substituir a Escola Normal. O que muitos ainda não sabem explicar é como o Liceu Paraibano se firmou no prédio, com o fim, aos poucos, do Instituto.
Eles passam a funcionar por algum tempo na mesma edificação, mas os homens no Liceu e as mulheres na Escola Normal. Na década de 40, segundo o pesquisador Carlos Augusto, o prédio ganha o nome do Liceu.
Quando o Liceu chega no novo prédio, já tem seu renome na cidade. Vai ser a principal escola da Paraíba, no entanto, abrigando alunos, principalmente, da elite. Os casarões construídos em frente ao prédio, que hoje ocupam órgãos, clínicas e escolas, foram feitos para a mesma classe.
Liceu Paraibano assume novo prédio no fim da década de 30
GPCES/Acervo
Localizado na Avenida Getúlio Vargas, já construída quando o prédio do Liceu foi concluído, a avenida e a escola estão ligados na urbanização. Doralice Maia conta que com a urbanização da Lagoa, é feita a abertura da Avenida Getúlio Vargas, com loteamentos grandes, pensados para a população de maior renda. “Era o projeto da cidade moderna”, explica.
O momento dessa urbanização é também o de prestígio para as escolas. Nessa mesma época, o prédio do Liceu é construído e, anos depois, recebe, de fato, recebe o nome de Liceu Paraibano. “A construção de prédios de imponência e significação urbana é vista como uma forma de olhar a função educativa da cidade”, escreveu Carlos Augusto.
Disputa por vagas continua
No ano de 2017 o Liceu Paraibano ofertou 560 vagas para alunos do ensino médio. Cerca de 1,2 mil estudantes se inscreveram. Segundo Olegário Vieira, diretor da instituição, a disputa por vagas na escola continua a mesma. A avaliação para ingresso de novos alunos acontece para quem vai entrar no 1º ano do ensino médio, com testes de português e matemática, referentes ao 9º ano.
Vice-diretora e diretor do Liceu Paraibano
Dani Fechine/G1
Conforme conta o diretor, que está no cargo há três anos, hoje o Liceu Paraibano não é mais privilégio da elite. Segundo ele, todos os bairros de João Pessoaa são contemplados com vagas. Atualmente, a escola tem 2.445 alunos, uma quantidade muito superior à época em que foi fundado. Segundo o pesquisador Carlos Augusto, as aulas até a década de 30 eram compostas por 5 ou 6 alunos.
São onze turmas do 1º ano, vinte do 2º ano e dezenove do 3º ano. Cada turma tem, em média, 50 alunos. E mesmo assim, para o professor Fernando Lira, é uma honra estar no Liceu como professor há vinte anos e ter passado pela história da escola também como estudante.
“Para o professor é uma honra, o Liceu tem um passado que honra a toda educação paraibana. Aqui nós tivemos os padres mestres, os primeiros educadores aqui, e de lá para cá, nós tivemos até governadores que davam aulas no Liceu e iam para o Palácio administrar”, declarou.
A escola acompanhou a modernização. Com um espaço acessível desde a sua construção, na década de 30, a tecnologia foi o grande trunfo da mudança. Hoje, o colégio tem laboratórios de robótica, física, biologia, matemática, informática e química, além de uma grande biblioteca. “O Liceu é a vitrine da escola pública estadual da Paraíba”, frisou o professor Fernando Lira.
Professor de história, Fernando Lira, no Liceu Paraibano
Dani Fechine/G1
Karla Oliveira, Mihaela Cláudia, Daniel Maximiano e Marcos Henrique estudam no Liceu Paraibano há três anos, mas carregam na mochila a tradição que a escola construiu. Dizem que foi a instituição que os ajudou a formar os conhecimentos que têm e o futuro que querem seguir.
“Eu acho que os professores ajudaram muito a formar essa ideia. Ajuda muito o aluno a entrar em um caminho quando os professores estão apresentando de forma muito didática e clara a proposta. Eu sempre fui direcionada para área das artes e humanas e o Liceu me ajudou muito a escolher meu caminho profissional e pessoal”, declarou Karla.
Mihaela quer ser violinista. Daniel quer se inspirar nos professores qualificados e se graduar em Letras – Português. Karla quer fazer psicologia, mas sem abandonar a dança e a filosofia. E Marcos Henrique, além de querer que a história do Liceu seja preservada, quer se formar em administração e ser o primeiro da família a concluir o ensino médio no Liceu Paraibano.
Maximiano, Karla, Marco e Mihaela, na biblioteca do Liceu Paraibano
Dani Fechine/G1
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