Proibição de feira na Praça São Salvador cria polêmica

WhatsApp Image 2018-01-14 at 15.25.53.jpegRIO – Quem foi neste domingo (14) à Praça São Salvador, em Laranjeiras, se surpreendeu com a ausência da feira que ocupa a área semanalmente. Procurada pela equipe do GLOBO, a prefeitura informou em nota que o evento não tem autorização para acontecer e que, por conta de muitas reclamações dos moradores, orientou os feirantes a não montarem as suas barracas. Durante o dia, um abaixo-assinado em defesa do evento circulou pela praça.

O assunto repercutiu nas redes sociais depois que o organizador, Rubber Siqueira, conhecido como Rubinho, afirmou numa postagem que a feira vem sofrendo uma perseguição por parte da Comissão Permanente de Cultura da Câmara do Rio: “Com a entrada do prefeito Crivella, foi criada pelos vereadores Reimont e Tarcisio Motta uma comissão que trataria da praça São Salvador. Percebemos que, a partir da criação desta comissão, passamos a receber todos tipos de denúncias e fiscalizações, ao ponto de termos nossos pedidos de licença transitória indeferidos sem nenhuma explicação ou justificativa para tais decisões. Quem mora ou frequenta a praça sabe da perseguição que sofremos a partir da comissão criada pelos vereadores. A praça continua a mesma, com os mesmos problemas, e só nós fomos prejudicados”, escreveu.

O vereador Tarcísio Motta (PSOL) classificou como absurdas as acusações. Segundo ele, em nenhum momento a comissão atuou para que a feira fosse proibida.

– Estamos trabalhando sim para que a feira seja regulamentada. Atualmente, esse organizador faz o que quer – disse Motta.

O vereador, no entanto, criticou a proibição da prefeitura:

– No dia 18 de novembro fizemos uma reunião na praça com moradores, integrantes da prefeitura, frequentadores e trabalhadores da praça. Neste encontro, a prefeitura se comprometeu a entregar até dezembro um projeto de regulamentação da feira, o que até hoje não ocorreu – afirmou.

Já o vereador Reimont, que é presidente da comissão, publicou um texto na internet onde também desmente as acusações do organizador da feira. “Vai haver mudança com certeza, mas, será para melhor. A feira não pode continuar sem regulamentação. Os feirantes não podem depender de vontade política de vereador ou de qualquer outro político. Trabalhamos para que tenham autonomia”, informou no texto.

POLÊMICA ANTIGA NA PRAÇA

Criada há cerca de 10 anos, a feira da Praça São Salvador já foi pivô de uma série de polêmicas. Em abril do ano passado, por exemplo, ela foi alvo de uma operação da prefeitura — que identificou que cerca de 40% dos feirantes atuavam de forma irregular. O evento foi retomado logo na semana seguinte depois da intervenção da Superintendência da Zona Sul, que se reuniu com representantes do evento e a CCU para iniciar os procedimentos de regularização dos trabalhadores.

A feira é realizada no mesmo dia que a tradicional roda de choro “Arruma o coreto”, um dos grupos responsáveis pela reocupação da praça, há dez anos. Os eventos não têm relação. A organizadora do grupo musical, a flautista Ana Claudia Caetano, apoia, inclusive, que a feira passe por uma regulamentação.

— A feirinha cresceu desordenadamente ao redor da nossa apresentação musical. A proposta inicial era ser de artesanato, mas o que vemos hoje foge totalmente disso. Tem muita gente vendendo alimentos, o que requer cuidados especiais por conta da saúde pública. Sem falar nos botijões de gás, que também representam riscos. Tem ainda o excesso de ambulantes que prejudica a circulação na praça, que já é pequena, impedindo as crianças de brincarem. Não somos contra os vendedores, mas não podemos deixar o espaço ser loteado — opina Claudia.

Em entrevista ao GLOBO, em abril do ano passado, Rubinho, o organizador da feira, afirmou que iria se desligar do evento, que ficaria então a cargo de uma comissão formada por quatro feirantes.

— Criei a feira com o intuito de dar oportunidade de trabalho para diversas pessoas. Eu compro todas as barracas e organizo a estrutura. Cada feirante paga R$ 40 por domingo para trabalhar. Esse dinheiro serve para arcar com todos os gastos. Mas, para evitar acusações de irregularidade, decidi que vou me retirar da organização direta e dar apenas suporte à comissão — afirmou Rubinho, na ocasião.

A equipe do GLOBO tentou entrar em contato novamente com Rubinho, mas não conseguiu até o momento.


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