Populistas na Itália ensaiam pressão econômica sobre UE em novo governo

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ROMA — Trinta e nove páginas e onze capítulos. É isto que a Itália parece ter até agora para possivelmente definir, mais de dois meses após as eleições parlamentares, o seu futuro político. Uma versão inicial do texto base de um acordo entre os dois partidos vencedores da votação, os populistas Movimento Cinco Estrelas (M5S) e Liga, foi vista pela imprensa e, embora ainda incompleto, já oferece um prelúdio do que poderia ser este governo de coalizão pouco agradável aos vizinhos europeus, sobretudo em termos econômicos. A proposta deverá ser enviada para aprovação do presidente Sergio Mattarella na segunda-feira.

Mas o maior ponto de discórdia aparentemente ainda é o nome do novo premier, enquanto as duas legendas brigam pelo protagonismo em Roma. Uma das probabilidades especuladas pela mídia italiana é a de que seja escolhido um parlamentar do M5S — e não necessariamente o seu líder, Luigi Di Maio — para o cargo, enquanto o chefe da Liga, Matteo Salvini, cujo partido foi o segundo mais votado na eleição de 4 de março, poderia ficar como ministro do Interior.

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Na economia, as páginas revelam um plano para reduzir os impostos, aumentar os gastos sociais com as camadas mais pobres e eliminar uma impopular reforma de pensões, o que parece incompatível com as regras da União Europeia (UE) em matéria de disciplina orçamentária. À Reuters, uma fonte anônima disse que o programa não tinha referências a uma possível saída da zona do euro, conforme já haviam ameaçado antes das eleições a Liga e o M5S — os grillini, como são chamados os membros do partido de Di Maio, vêm moderando o discurso no último ano. Mas, ainda assim, o projeto poderia impor ao bloco europeu o maior desafio desde que o Reino Unido resolveu se divorciar do bloco em 2016.

Os partidos, no entanto, demonstram que planejam pressionar por mudanças em políticas econômicas do bloco. Falam em voltar às condições pré-Maastritch, em referência ao tratado que, em 1992, lançou as bases para a criação da moeda única europeia. O tratratdo estabelece “regras de convergência” para todas as economias da zona do euro, determinando que seu deficit orçamentário não pode exceder 3% do Produto Interno Bruto (PIB) e a sua dívida pública não pode superar 60% do PIB. Querem, também, que as despesas com investimentos públicos não sejam contabilizadas como déficit orçamentário, além da abertura de um diálogo para usar uma parcela maior do Fundo Social Europeu no estabelecimento de uma renda básica universal de 780 euros, que representaria um custo de 17 bilhões de euros por ano.

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Reunido com líderes europeus na Bulgária, o já de saída premier italiano, Paolo Gentiloni, expressou preocupação com os planos da coalizão para as políticas externa e de dívidas, uma vez que a necessidade de salvaguardar as contas públicas estavam em debate. Por sua vez, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o governo em surgimento em Roma era composto por forças heterogêneas e paradoxais, mas que confiava em Mattarella para garantir que a Itália continuaria a trabalhar construtivamente na UE.

Segundo o “Corriere della Sera”, dentre as medidas já acordadas está a redução do número de parlamentares, uma já antiga e polêmica questão para a Itália, cujo sistema de bicameralismo perfeito, em que as duas Casas do Congresso têm o mesmo poder, engloba 945 legisladores — o que, não raro, paralisa a tomada de decisões do Legislativo. Outra questão é a reforma das políticas de imigração, uma vez que os dois partidos concordam que é necessário frear o intenso fluxo de refugiados no país europeu mais afetado pela crise irrompida em 2015, mas ainda há divergências entre ambas as partes sobre como será feito o controle dos desembarques. Conheça os homens-fortes das eleições na Itália


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