Navio Aquarius espera porto seguro para 141 pessoas resgatadas



MAR MEDITERRÂNEO – O navio humanitário Aquarius resgatou 141 imigrantes apenas nesta sexta-feira, 10 de agosto. As pessoas estavam à deriva, em barcos de madeira lotados na costa da Líbia, país da região norte da África. A embarcação, que é mantida pela instituição de caridade franco-alemã SOS MEDITERRANEE e operada em parceria com Médicos Sem Fronteiras (MSF), está em sua décima missão este ano. É a primeira desde que figurou no centro de uma crise diplomática entre Itália e Malta, os dois países se recusavam a receber imigrantes resgatados. Após a crise, a equipe da embarcação fez uma pausa de dois meses.LEIA MAISMediterrâneo é o maior cemitério da Europa hoje, diz capitão do LifelineAumenta número de migrantes mortos no Mediterrâneo, diz ONUQuando a Itália se recusou a receber o Aquarius em junho e Malta seguiu o exemplo, o navio passou nove dias exaustivos no mar antes de receber autorização para desembarcar os imigrantes na Espanha. A disputa também envolveu a União Europeia e a França, e as tensões políticas entre Roma e Paris persistem desde então.O novo governo da Itália, que assumiu o poder em junho, se recusa a receber imigrantes resgatados por navios humanitários, acusando-os de atuar como um “serviço de táxi”, em uma tentativa de conseguir que os parceiros da UE arquem com uma carga maior de imigrantes.- Em sua insensível recusa em permitir que refugiados e imigrantes desembarquem em seus portos, a Itália está usando vidas humanas como barganha – disse Matteo de Bellis, da Anistia Internacional, na quarta-feira, condenando as políticas da UE para o Mediterrâneo central.As duas organizações responsáveis pelo Aquarius estão agora pedindo aos governos europeus que indiquem o local de segurança mais próximo sem demora, de acordo com a Lei Marítima Internacional, para que as pessoas resgatadas no mar possam ser desembarcadas e o Aquarius possa continuar oferecendo a assistência humanitária urgente e necessária.141 pessoas resgatadas em um diaNa manhã de sexta-feira, 10 de agosto, a equipe do Aquarius resgatou 25 pessoas encontradas em um pequeno barco de madeira sem motor. Entre os resgatados estavam seis mulheres. Acredita-se que eles estavam no mar há quase 35 horas e estavam a cerca de 46 quilômetros de distância do continenente. As condições eram calmas e ensolaradas na sexta-feira, mas o barco, sobrecarregado por muitos passageiros, flutuava pouco acima da linha d’água. Os que estavam a bordo pareciam tensos e preocupados quando os socorristas se aproximaram, entregaram-lhes coletes salva-vidas e os ajudaram a subir no navio humanitário.Mais tarde naquele dia, o segundo barco de madeira foi avistado. Superlotado, com 116 pessoas a bordo, incluindo 38 mulheres e 73 passageiros com menos de 18 anos. Mais de 70% dos resgatados são originários da Somália e da Eritreia, nações da África oriental. Embora maior, este navio também estava lotado de passageiros. Entre a multidão, um pequeno menino assustado sentou-se na borda do barco, olhando ansiosamente em direção aos salvadores.Durante as duas operações de busca e salvamento, a equipe a bordo do Aquarius informou todas as autoridades relevantes de suas atividades, incluindo os Centros de Coordenação de Resgate Marítimo Italianos, Malteses e Tunisianos (MRCCs, na sigla em inglês), bem como o Centro de Coordenação de Resgate Conjunto da Líbia (JRCC), que declarou ser a autoridade que coordena os resgates.Embora a condição médica dos resgatados seja estável por enquanto, um número grande está extremamente fraco e desnutrido. Muitos relatam que foram detidos em condições desumanas na Líbia. O JRCC líbio informou o Aquarius que não forneceria um local de segurança e instruiu o navio a solicitar um local de segurança a outro Centro de Coordenação de Resgate (CCR). De toda forma, a Líbia não é reconhecida como um local de segurança. As pessoas resgatadas nas águas internacionais do Mediterrâneo não devem regressar à Líbia, mas, sim, serem levadas para um local de segurança, em conformidade com o direito internacional e marítimo. O agora ruma ao norte, para solicitar o local mais próximo de segurança de outro Centro.- Agora estamos seguindo as instruções do JRCC e entraremos em contato com outros CCRs para um lugar de segurança, para desembarcar as pessoas resgatadas que temos a bordo – explicou Nick Romaniuk, Coordenador de Busca e Salvamento da SOS MEDITERRANEE – O que é de extrema importância é que os sobreviventes sejam levados para um local de segurança sem demora, onde suas necessidades básicas possam ser atendidas e onde possam estar protegidos contra abusos.De acordo com a lei internacional, os refugiados não podem ser colocados de volta em perigo após serem salvos no mar.- Os governos europeus se esforçaram para apoiar o JRCC da Líbia, mas os eventos de sexta-feira mostram que eles não têm capacidade de coordenar totalmente o resgate – disse Aloys Vimard, coordenador do projeto da MSF a bordo do Aquarius – Um resgate não é completo até que haja desembarque em um local de segurança. O JRCC líbio nos disse claramente que não forneceria isso. Além disso, eles não informaram o Aquarius de barcos em perigo dos quais eles estavam cientes, apesar do fato de que estávamos nas proximidades e oferecemos nossa ajuda. Foi uma grande sorte termos visto por conta própria esse barco em perigo.Descaso ao marAs pessoas resgatadas disseram à equipe do Aquarius que, antes, passaram por cinco navios diferentes. Nenhuma das embarcações anteriorres ofereceu ajuda.- Parece que o próprio princípio de prestar assistência a pessoas em perigo no mar está agora em jogo. Os navios podem não estar dispostos a responder aos que estão em perigo devido ao alto risco de ficarem presos e ter um local de segurança negado. As políticas destinadas a evitar que as pessoas cheguem à Europa a qualquer custo estão resultando em mais sofrimento e forçando os que já estão vulneráveis a fazer viagens ainda mais arriscadas em busca de segurança – critica o coordenador da MSF.Atualmente só existem dois navios de busca e salvamento humanitários no Mediterrâneo Central. Para a MSF e a SOS Mediterranee, a criminalização e obstrução do trabalho das organizações humanitárias refletem “um sistema de asilo europeu falho e o fracasso dos Estados membros da União Europeia em realocar os solicitantes de asilo que chegam à Europa”. As duas organizações pedem aos governos europeus e suas autoridades de resgate marítimo que reconheçam a gravidade da crise humanitária no Mediterrâneo e concedam “acesso rápido ao local mais próximo de segurança para facilitar, em vez de dificultar, a assistência humanitária que salva vidas no Mediterrâneo Central”.
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