Na estreia da propaganda de rádio no 2º turno, Bolsonaro e Haddad dizem que vitória do adversário traz risco ao Brasil


Bolsonaro comparou a situação do país, ‘à beira do abismo’, com a de Cuba e Venezuela. Haddad citou casos de violência contra eleitores e afirmou que ‘democracia está em risco’. As campanhas de Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) estrearam no horário eleitoral de rádio no segundo turno com uma estratégia em comum: cada candidato acusou o outro de representar um risco ao Brasil. Os primeiros programas foram ao ar na manhã desta sexta-feira (12).
A propaganda de Bolsonaro ataca o Foro de São Paulo, organização política latino-americana fundada nos anos 1990 por lideranças de esquerda – inclusive pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria sido o candidato do PT nestas eleições.
A campanha do PSL citou Cuba (“o país mais atrasado do mundo”, segundo o programa) e Venezuela (“devastada”) para dizer que o Brasil, “em sua maior crise ética, moral e financeira da história”, está “à beira do abismo”.
“A maioria dos chefes do tráfico, eles comandam o morro através, dentro da prisão. O Haddad vai ser só um bonequinho que você compra na feirinha e o Lula vai ser o cabeça de tudo”, afirma um entrevistado no programa de Bolsonaro.
Do outro lado, a campanha da Haddad afirmou que a “democracia está em risco” e incluiu áudios de Bolsonaro dizendo “vamos fuzilar a petralhada”. O candidato do PSL usou a frase durante um comício em Rio Branco (AC), em 1º de setembro. Bolsonaro justificou a fala como uma “figura de linguagem”.
A propaganda do PT mencionou casos de violência contra eleitores. Um dos casos citados foi a morte de um capoeirista esfaqueado na Bahia depois de ter dito em um bar que era contrário a Bolsonaro.
A propaganda também falou do caso da jovem, em Porto Alegre, que diz ter sido perseguida por simpatizantes de Bolsonaro que entalharam uma suástica a canivete no corpo dela. Ela afirma que estava andando com um adesivo escrito “ele não”, numa crítica a Bolsonaro.
O programa também citou como exemplo de intolerância o assassinato da vereadora Marielle Franco, morta a tiros no Rio de Janeiro em março.
“O que é mais bacana? Um povo de arma na mão, como propõe Bolsonaro, ou com um livro, como propõe Haddad?”, questiona o locutor da propaganda do petista.
Lágrimas, família e promessas
Tanto a campanha de Haddad quanto a de Bolsonaro trocaram os ataques pela autobiografia após a primeira metade de cada programa.
O candidato do PSL contou – com uma pausa e voz embargada – sobre uma reversão de vasectomia feita pelo capitão reformado antes de ter a quinta filha, Laura.
O petista, por sua vez, falou sobre o casamento de 30 anos com a esposa, Ana Estela, e os dois filhos – “uma benção de Deus”, segundo o próprio candidato do PT.
Haddad ainda usou o espaço no rádio para mencionar propostas, como o Meu Emprego de Novo, para geração de emprego. O petista também prometeu “retomar salário mínimo forte” e “criar o ensino médio federal”.
O programa do PSL, por sua vez, garantiu que Bolsonaro “é honesto, firme, e sempre defendeu os valores da família”. Bolsonaro disse também que o Brasil precisa de “um governo que saia do cangote da classe produtora”.
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