Grécia aponta aumento de refugiados após ofensiva turca em Afrin

70538498_Refugees and migrants rescued by the Greek coast guard disembark from a ship upon their.jpgTESSALÔNICA, Grécia — Alegando a recente ofensiva militar turca em Afrin, norte da Síria, autoridades gregas estão alertando para um aumento drástico no número de migrantes e refugiados cruzando a fronteira terrestre com a Turquia irregularmente nos últimos dois dias. De acordo com um comunicado divulgado pela polícia grega nesta terça-feira, 370 pessoas foram detidas na segunda-feira e 140 no domingo após tentarem cruzar o rio Evros, que forma uma fronteira natural entre Grécia e Turquia.

A rota terrestre partindo da Turquia e chegando ao nordeste da Grécia tornou-se muito utilizada conforme as condições se deterioram nas ilhas gregas, antes o caminho preferido pelos imigrantes. Atualmente, a rota insular tem sido bastante vigiada por autoridades gregas de migração e milhares de migrantes detidos nessas localidades ainda aguardam a definição de um destino em campos de refugiados lotados. Em Lesbos, mais de 5 mil migrantes vivem em abrigos originalmente construídos para suportar, no máximo, 2 mil pessoas.

De acordo com a polícia Grega, um aumento significativo foi notado nas chegadas através do rio Evros, com 1658 pessoas detidas em março, situação diferente dos meses precedentes — em fevereiro foram 586 e, em março de 2017, apenas 262. De acordo com relatórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mais de 16 mil pessoas já atingiram a Europa depois de atravessar a perigosa rota pelo mar Mediterrâneo neste ano. No mesmo período, ao menos 501 pessoas morreram, ainda segundo a agência da ONU.

O governo grego tem sido bastante criticado pela forma como trata a crise dos refugiados. Acusações de que o país tenta promover o não acolhimento, além de não oferecer condições humanitárias dignas são levantadas por grupos de direitos humanos. Para Dimitris Vitsas, ministro da Migração, a abordagem grega para a crise, no entanto, é correta.

— Uma de nossas principais prioridades para o futuro próximo é impementar grandes projetos de infraestrutura para as ilhas, em cooperação com os governos locais, com o objetivo de melhorar o cotidiano dos seus habitantes, que estão na linha de frente da crise de refugiados — disse ele em recente coletiva de imprensa.

A Turquia e seus aliados rebeldes sírios lançaram uma operação militar em fevereiro para expulsar combatentes da milícia curda Unidades de Proteção do Povo (YPG) de Afrin, norte da Síria. Ancara afirma que a YPG, que recebe apoio bélico e logístico dos Estados Unidos, é um grupo terrorista e uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que mantém uma insurgência no sudeste turco há três décadas. Desde então forças turcas cercaram a região, motivando a fuga de civis.


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