Grafiteiro espalha geladeiras cheias de livros em bairro da Zona Leste de SP

São seis ‘gelotecas’ em Guaianases. Leitura ajuda a transformar a vida da população. Artista plástico de São Paulo cria jeito diferente de aproximar moradores de livros
Não se surpreenda se você estiver passando por Guaianases, na Zona Leste de São Paulo, e encontrar uma geladeira toda colorida no meio do caminho. É só abrir, escolher um dos livros que ficam guardados nela, e ler.
O artista plástico João Belmonte, o Todyone, grafitou as geladeiras velhas, encheu elas de livro e espalhou pela região. São seis “gelotecas” em Guaianases.
O grafiteiro conta que teve a ideia depois que foi ajudar um amigo.
“Tinha um colega nosso que tinha sido despejado e não tinha como levar a geladeira que era muito pesada e estava num local que era de difícil acesso”, explica. “Ele pediu a nossa ajuda para tirar a geladeira de lá, né. E aí, então, a gente pegou essa geladeira junto com outros amigos, colocamos numa perua e eu liguei para o Marcos Paulo, da barbearia e falei, Marcos a gente precisa desse espaço e já peguei, já pintei e começou assim.”
São seis gelotecas espalhadas por Guaianases
TV Globo/Reprodução
A primeira “geloteca” foi montada em frente a uma barbearia. O barbeiro, Marcos Paulo Silva, aprovou a ideia. “Para muitos é lixo, um móvel quebrado que não tem utilidade nenhuma, e nós estamos contribuindo para ajudar a levar conhecimento para as pessoas”, diz.
Mas infelizmente, a violência no bairro está longe de acabar. As próprias geladeiras já foram roubadas três vezes. Por isso que as doações são fundamentais para manter o projeto e fazer com que Todyone atinja o objetivo dele o mais rápido.
“Quando a gente fez a primeira a ideia era que o bairro ficasse conhecido como o bairro de mais incentivo à leitura do país, algo assim. Então a gente quer colocar em Guaianases inteiro e deixar o bairro conhecido pela leitura independente, assim”, diz Todyone.
O dono de uma banca que vende livros, revistas e CDs perto da estação Guaianases da CPTM viu todo o acervo queimar num incêndio, logo depois de um show ao lado da banca. Ademar Rodrigues Chapin contou com a ajuda da filha, que agitou as redes sociais, da comunidade e conseguiu reerguer a bancam que ganhou um novo nome: Resistência Cultural.
Leitura ajuda a transformar a vida da comunidade
TV Globo/Reprodução
O rapper Prodígio, um dos organizadores do show no dia do incêndio, também contribuiu para a reconstrução da banca.
“Me prontifiquei a ajudar ele a reconstruir o sebo, a reformar, porque eu também sou grafiteiro há 22 anos”, disse Prodígio. “Dá pra fazer dois sebos com o que a gente conseguiu, São Paulo inteira se mobilizou.”
Banca pegou fogo após show e foi reerguida com ajuda de colaboradores em Guaianases
TV Globo/Reprodução
A cultura também mudou a vida de José dos Santos, o Coquinho, dono de outra banca em Guaianases há mais de 20 anos. Quando começou a vender livros, escrevia pouco. Ele parou de estudar quando ainda era criança. Em meio a tantas histórias, resolveu escrever mais um capítulo da dele mesmo.
“Voltei a estudar, terminei o ensino fundamental e ensino médio”, diz Coquinho. “Os livros são fundamentais. Com o saber você se aprofunda cada vez mais e você fica mais culto. Por eu ter uma vida difícil eu era muito ignorante e eu fiquei mais sensível e aprendi a ser mais homem com o livro.”
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