Gigante russa de gás corta postos de trabalho no Reino Unido

MOSCOU – A Gazprom, empresa estatal gigante de gás da Rússia, vai cortar centenas de postos de trabalho no exterior, incluindo no Reino Unido onde tem seu maior escritório, e abrir novos em São Petersburgo. A decisão vem junto a crescentes tensões com o Ocidente.

Segundo uma fonte anônima, a ação reflete a tendência das estatais russas de saírem do Ocidente, como parte da iniciativa do presidente Vladimir Putin de repatriar capital, reduzir o impacto das sanções e estimular a economia doméstica.

— Na Rússia, a história pode ser vendida como criação de postos de trabalho em solo nacional. É bastante útil, principalmente tendo em vista as eleições presidênciais — disse a fonte, referindo-se à disputa eleitoral marcada para domingo.

A decisão vem após a primeira-ministra britânica, Theresa May, acusar Moscou do assassinato de um ex-espião russo, exilado na Inglaterra. Apesar da baixa nas relações entre os dois países, o corte de postos de trabalho já havia sido decidido no início do ano, bem antes do escândalo.

A Gazprom, que tem sede em São Petersburgo, afirmou ser muito cedo para discutir os números da mudança. Mês passado, a empresa disse que planejava reorganizar seus negócios internacionais, mas não deu detalhes.

— O objetivo é fortalecer a posição da empresa no exterior — comentou o porta-voz.

A divisão de exportação e negócios internacionais da Gazprom, onde vão ocorrer os cortes, emprega 2.000 pessoas, com 1.000 apenas em Londres. A empresa também tem escritórios em Paris, Houston, Singapura e em algumas cidades da Alemanha.

A reorganização vai diminuir em mais da metade o número de funcionários no exterior. Quantidade semelhante, no entanto, deve ser contratada em São Petersburgo, onde muitas das operações serão executadas.

Desde que a Gazprom abriu seu escritório londrino, em 2005, contratou dezenas de funcionários de empresas rivais, como a Total e a Gunvor.

RESULTADOS NÃO DIVULGADOS

A anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, deflagrou uma série de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra o Kremlin e suas empresas. A situação se agravou após as acusações de interferência russa nas eleições presidenciais americanas de 2016.

Os bancos e empresas estatais russas, como o VTB e a Rosneft, já reduziram sua presença no Ocidente. Aliados de Putin também tomaram medidas para repatriar dinheiro para a Rússia. É o caso do empresário Gennady Timchenko, que vendeu seus ativos no exterior.

O Ocidente já acusou repetidas vezes Putin de usar a Gazprom como arma política e econômica. No passado, cortes nos suprimentos de gás enviados para a Ucrânia interromperam as entregas na Europa. Mas Moscou negou as acusações feitas na época.

Um terço do gás usado na Europa tem origem russa, sendo que a Gazprom gastou 15 anos desenvolvendo sua divisão de comércio para aumentar a participação no mercado europeu.

O plano para tirar a Gazprom de Londres não é novo. Inclusive, já havia sido considerado em 2015, mas não foi posto em prática devido ao temor de um êxodo de pessoal e dificuldades em levantar crédito para a operação.

Na última vez que as divisões de marketing e comércio publicaram seus resultados, em 2014, o lucro líquido da empresa foi US$ 613 milhões. Já o retorno sobre o patrimônio foi de 41%, com os gastos com pessoal em US$ 162 milhões. Desde então, não foram publicados mais resultados.


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