Gael García Bernal denuncia México na ONU por abusos

MEXICO-RIGHTS_GARCIABERNAL-G1V3L1U6R.1.jpgGENEBRA — Crimes contra a Humanidade têm sido cometidos no México “em nome da segurança”, disse o ator mexicano Gael García Bernal durante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas nesta quarta-feira. Ativistas e agentes da ONU acusam as forças de segurança do país de assassinato, tortura e desaparecimentos desde que militares foram acionados para combater os cartéis de drogas em 2007. Mais de 100 pessoas foram mortas em violência relacionada ao tráfico de drogas na década seguinte, incluindo 25 mil assassinatos no último ano. Milhares de pessoas estão desaparecidas, várias por conta das forças de segurança, dizem ativistas.

— Os números estão aumentando, a dor das famílias também. Como resultado da guerra contra o narcotráfico, as maiores violações contra os direitos humanos têm sido cometidas, o que inclui crimes contra a humanidade em nome da segurança — disse Gael García em discurso no encontro do conselho em Genebra, do qual México é um dos 47 membros.

De acordo com Bernal, a comunidade internacional não pode permitir que a situação continue no país em que “a liberdade de expressão está sendo cerceada e jornalistas, além de ativistas de direitos humanos, estão sendo mortos”, afirmou ainda. A delegação mexicana que também falaria na sessão desta quarta-feira se retirou, segundo funcionários da ONU.

O governo mexicano afirmou estar comprometido em investigar e punir casos de abusos de direitos humanos. As autoridades negam envolvimento em alguns dos casos mais escandalosos, como o desaparecimento de 43 estudantes em 2014. As investigações, apesar de continuarem, não levaram a nenhuma conclusão.

— Precisamos do apoio dos países neste Conselho para termos um mecanismo contra a impunidade, que irá garantir que os crimes hediondos que acontecem agora não irão se repetir no futuro — disse García Bernal ao falar em nome da Comissão Mexicana para Promoção e Defesa dos Direitos Humanos.

Na terça-feira, ele convocou as Nações Unidas e governos ao redor do mundo a pressionar o México contra a impunidade e as matanças em larga escala.

— As eleições estão chegando, as apostas estão altas. Esse é o momento para mudar as coisas — disse o ator de 39 anos a repórteres, se referindo às eleições que acontecem em Julho. Anabel Hernandez, uma jornalista investigativa mexicana, pediu pelo combate “à corrupção e à cultura da impunidade que estão destruindo o país”.

Autoridades solucionaram apenas 1% dos casos de assassinato e continuam totalmente incapazes de promover a justiça, disse Hernandez durante o Festival Internacional de Cinema de Direitos Humanos na terça-feira a noite. Desde 2001 até 2017, cerca de 171 jornalistas foram mortos no país, ela acrescentou.

— Não podemos continuar assim, caso contrário todas as famílias no México terão ao menos um membro morto ou desaparecido — afirmou Ixchel Cisneros, outra jornalista mexicana no evento.


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