Ex-CEO da Cambridge Analytica se recusa a testemunhar no Reino Unido

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LONDRES – O ex-CEO da Cambridge Analytica, Alexander Nix, recusou-se a testemunhar à comissão de mídia do Parlamento do Reino Unido. Ele e a empresa são parte de uma investigação das autoridades britânicas sobre o uso indevido de dados de milhões de contas do Facebook em campanhas políticas.

O presidente da comissão, Damian Collins, anunciou a decisão de Nix um dia antes da data marcada para seu comparecimento. No entanto, rejeitou categoricamente que ele deva ser “deixado em paz”, dizendo que Nix não foi acusado de qualquer crime e que não há nenhum procedimento legal ativo contra ele.

“Não há, portanto, nenhuma razão legal pela qual o senhor Nix não possa comparecer”, disse Collins em comunicado. “A comissão está disposta a emitir uma convocação formal para ele aparecer em um dia marcado num futuro bem próximo.” cambridge analytica

Nix apresentou provas à comissão em fevereiro, mas foi chamado a depor depois que Christopher Wylie, cofundador e ex-funcionário da Cambridge Analytica, provocou um debate global em março sobre privacidade eletrônica quando alegou que a empresa usou dados de milhões de contas do Facebook para ajudar a campanha eleitoral do presidente Donald Trump em 2016.

‘INIMIGOS ARTIFICIAIS’

Wylie, que trabalhou nas “operações de informação” da Cambridge Analytica em 2014 e 2015, também disse que a campanha oficial de apoio à saída britânica da União Europeia teve acesso aos dados do Facebook coletados de maneira irregular.

A Cambridge Analytica disse anteriormente que nenhum dos dados do Facebook que adquiriu de um pesquisador acadêmico foi usado na campanha de Trump. A empresa também alega que não fez nenhum trabalho remunerado ou não remunerado na campanha do Brexit.

O Facebook disse que determinou que a Cambridge Analytica excluísse todos os dados coletados das contas de usuários assim que soube do problema. Mas a ex-diretora de desenvolvimento de negócios da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser, testemunhou na terça-feira que a gigante de tecnologia dos EUA na verdade não tentou verificar as garantias da Cambridge Analytica de que tivesse feito isso.

— Acho incrivelmente irresponsável que uma empresa com tanto dinheiro quanto o Facebook não tenha mecanismos de devida diligência para proteger os dados de cidadãos do Reino Unido, dos EUA ou seus usuários em geral — criticou ela.

Brittany sugeriu que o número de indivíduos cujos dados do Facebook foram utilizados de maneira irregular poderia ser muito superior aos 87 milhões admitidos pela gigante do Vale do Silício.

Conheça as empresas envolvidas no roubo de dados do Facebook

Um especialista em propaganda disse ao comitê na segunda-feira que a Cambridge Analytica usou técnicas desenvolvidas pelos nazistas para ajudar a campanha presidencial de Trump, transformando muçulmanos e imigrantes em um “inimigo artificial” para ganhar apoio de eleitores com medo.

A professora da Universidade de Essex, Emma Briant, que por uma década estudou o SCL Group — um conglomerado de empresas, incluindo a Cambridge Analytica —, entrevistou o fundador da empresa, Nigel Oakes, quando ela estava pesquisando um livro. Oakes comparou as táticas de Trump às do líder nazista Adolf Hitler ao escolher judeus para represálias.

— Hitler atacou os judeus, porque as pessoas não gostavam dos judeus — disse ele nas fitas da entrevista conduzida com Emma. — Ele poderia apenas usá-los para criar um inimigo artificial. Bem, isso é exatamente o que Trump fez.


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