Estudante da UFSCar está na final do maior campeonato de hacker do Brasil

Aluno de engenharia da computação passou na etapa de São Paulo e disputa o título de campeão no final do ano. Estudante da UFSCar Matheus Vrech Lima venceu a etapa de São Paulo do Hackaflag
Arquivo Pessoal
O hacker, de acordo com o a definição do dicionário da língua portuguesa, é quem invade sistemas computacionais ou computadores para acessar informações confidenciais ou não autorizadas, apontando possíveis falhas nesses sistemas.
Para o estudante de engenharia da computação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e vencedor da etapa de São Paulo do campeonato de hacking, Matheus Vrech Lima, o hacker não é bem assim, está mais relacionado à curiosidade em explorar o máximo possível um sistema e isso pode ser usado para o bem ou para o mal.
“Dizem que o hacker é o cara bom e cracker é o cara mal. Não acredito, porque é um conceito moral. Invasão de sistema é uma das coisas que pode fazer, mas não é a única. Ele pode tentar entender como funciona o sistema, testar e sugerir melhorias. Usar todos os recursos disponíveis e fazer o sistema funcionar para fazer coisas que não foram projetadas. É um cara que pensa de um jeito inesperado”, disse o estudante
Em 21 de julho, o estudante venceu uma das etapas do Hackflag, um dos maiores campeonatos de hacker da América Latina, e garantiu vaga para a final no fim do ano contra outros 13 participantes. O campeão ganhará uma viagem para a Defcon, maior evento de hacker do mundo, que ocorre em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Matheus Vrech Lima no campeonato de Hackaflag
Arquivo Pessoal
Campeonato hacker
Natural de São Paulo, Matheus se mudou para São Carlos onde está no 3° do curso de engenharia da computação. Está foi a primeira vez que ele participou da competição, que contou com 80 competidores. O campeonato que usa o sistema Capture The Flag (CTF), testa conhecimentos sobre invasão a sistemas de segurança da informação, usados em bancos e outras empresas.
“Existe uma plataforma que só está disponível para os competidores. Não podemos usar celular ou nos comunicar. Tem diversos desafios e cada um é voltado para uma área, como hacking na web, outros de criptografia e programação avançada. É preciso burlar esses sistema e, após conseguir, colocar a palavra flag no sistema”, disse Lima.
O estudante de São Carlos contou que começou a jogar na faculdade com os colegas e hoje participa de grupos que jogam online aos fins de semana. Após vencer um campeonato em equipe, decidiu participar do Hackflag.
“Eu não esperava ganhar, mas também não foi inesperado. Eu estudo segurança da informação desde que entrei no curso. Joguei contra meus parceiros de time. Leio muita coisa e depois tento por em pratica jogando”, contou Matheus.
Equipe Garoa Hacker Clube de São Paulo jogando CTF
Arquivo Pessoal
Hacker
Desde criança, Matheus sempre teve interesse na área de computação e procurava aprender sobre configuração e sistemas. O estudante contou que quando era menor trabalhava em sites para testar a segurança deles.
“Eu gosto da área de pentest – método que avalia a segurança de um sistema de computador ou de uma rede. Eu ainda não sei se vou continuar nessa área. Eu gosto de estudar como os desenvolvedores de segurança funcionam. Os sistemas dos jogos que a gente resolve são, em maioria, mais difíceis que de muitos sites”, disse.
Matheus reconhece que invadir sites não é uma das tarefas mais complicadas, mas atribui as invasões à conduta de cada hacker.
“Inevitavelmente quando estamos em um desenvolvedor, vemos algumas vulnerabilidades em alguns sites, mas vai de cada pessoa. Eu tenho certeza que conseguira. Os sistemas que a gente joga são baseados em sistemas reais. A maioria dos sistemas que jogamos é muito mais difícil”, disse.
Matheus Vrech Lima é estudante da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Claudinei Junior/G1
Diante da preocupação das empresas em relação à segurança de dados e investimentos nesse setor, o estudante diz que há muito campo para um hacker.
“Tem muitas vagas e demanda. O hacker não precisa necessariamente fazer algo de ruim, ele pode trabalhar em uma empresa realizando invasões para verificar vunerabilidade no sistema“, contou.
O mesmo não acontece com as contas de pessoas físicas, para quem ele dá um conselho: “Querendo ou não, as pessoas são um ponto mais vulnerável. É bom ter senhas fortes e diferentes. Existem programas que gerencia senhas e os usuários não precisam mais decorar todas. Essa é uma das formas de se manter seguro”.
*Sob a supervisão de Fabiana Assis, do G1 São Carlos e Araraquara.
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