Em 24 horas, o estado de SP registra mais três casos de feminicídio


Em 2017, foram 1.133 casos. Juíza que lida diariamente com esses casos, explica que é no momento, em que a mulher tenta quebrar o ciclo de violência, que corre mais perigo. Em 24 horas, o estado de São Paulo registra mais três casos de feminicídio
Em 24 horas, o estado de São Paulo registrou mais três casos de feminicídio.
A cena do casal feliz e apaixonado já era só fotografia. Depois de dez meses juntos, a vida que a Sharon levava com o Alex era outra. Em agosto, eles se separaram.
“O pai dela ouviu eles brigando e falou que ele estava grudado no pescoço dela. Expulsou ele da casa”, conta Érico Monteiro Simplício, primo de Sheron.
Mas Alex voltou e a Sheron perdoou. “Ela sempre via ele como bom rapaz, que veio para salvar a vida dela, pensava em filho, em construir uma família”, diz Douglas Aparecido Ribeiro de Lima, irmão de Sheron.
O destino foi outro: com o rosto e o corpo queimados pelo namorado, ela foi deixada sozinha em casa. Na segunda-feira, a família a encontrou, levou para o hospital, mas era tarde. Sheron morreu na noite de sexta (12).
Quando outra história de violência também acabou numa rua da Zona Sul de São Paulo, com três tiros no peito de uma mulher. Renata Solange de Souza, de 34 anos, caminhava para casa quando o ex-marido passou de carro atirando. José Manuel da Silva foi preso. Para a polícia, disse que matou porque ela usava drogas. Estavam separados, mas dividiam a mesma casa com os três filhos.
E os filhos foram o motivo que o engenheiro deu para passar na casa da ex-mulher, em Sumaré, no interior de São Paulo. Disse que queria vê-los no Dia das Crianças, mas pediu que fossem para casa do vizinho para matar a ex-mulher. Evandro Humberto descarregou seis tiros em Renata Basso Beisman. Guardou um para acabar com a própria vida.
Há três anos ganhou nome próprio o crime de matar uma mulher por ser mulher: feminicídio. E os registros só crescem. Em 2017, foram 1.133 casos, 21% a mais do que no ano anterior.
Essas histórias que acabam com mulheres mortas no Instituto Médico Legal parecem seguir o mesmo roteiro. Que começa com ciúme, possessividade. Segue com controle, agressão verbal, psicológica e física. Até que elas decidem que não querem mais.
A juíza que lida diariamente com esses casos, explica que é no momento, em que a mulher tenta quebrar o ciclo de violência, que corre mais perigo. “Tem que pedir proteção. O silêncio é o pior dos mundos”, destaca Teresa Cabral Santana, Coordenadoria Mulher em Situação de Violência. E se cuidar: “Não dizer onde vai, com quem está. Estar na companhia de outras pessoas, quando esse contato é inevitável”.
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