Departamento de propina da Odebrecht só pagava em dinheiro ou conta no exterior, segundo executivo

65677668_Brasil Brasília BsB DF 10-03-2017 - Entrevista com o chanceler Aloysio Nunes no Itamaraty..jpgBRASÍLIA – O ex-executivo da Odebrecht Benedicto Júnior disse em delação premiada que os pagamentos do Setor de Operações Estruturadas da empresa, conhecida como o setor de propinas, eram feitos de duas formas: ou em dinheiro vivo, no Brasil; ou por meio de contas no exterior. Não havia outro modo de receber recursos da empreiteira de forma ilegal.

— Com certeza, feito pelo setor de operações estruturadas, só tinha duas formas de fazer: ou em dinheiro, ou se a pessoa tivesse conta no exterior — garantiu.

Fachin Lava-Jato

Ele também explicou que, para propina, não havia valor limitado, podendo ser qualquer cifra, dependendo da negociação com o beneficiado:

— Para caixa 2 não tinha limite estabelecido.

O esclarecimento foi prestado durante depoimento em que Benedicto contou como foram pagos, por caixa dois, R$ 500 mil ao atual ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes (PSDB-SP) para abastecer sua campanha de 2010 ao Senado.

O pagamento teria sido feito em dinheiro vivo, em duas parcelas de R$ 250 mil — uma em agosto e outra em setembro. O pagamento teria sido feito por Carlos Armando Paschoal, executivo da Odebrecht que seria responsável por pagar propinas em São Paulo. Quem recebeu teria sido um operador apontado por Aloysio que não foi identificado pelo delator.

Benedicto informou que o codinome do tucano entre os executivos da Odebrecht era “Manaus”, e que o apelido tinha sido colocado de forma aleatória, porque os beneficiados de propina na campanha de 2010 teriam sido nomeados a partir de cidades Brasileiras.

O executivo também disse que, em troca do pagamento da vantagem indevida, a empresa esperava que Aloysio Nunes cooperasse com os interesses da Odebrecht se fosse eleito.

— (A gente esperava) que, se eleito, (ele) tivesse uma relação de confiança conosco, que tivesse fluidez nas demandas que a gente fizesse, de receber-nos, de assuntos que estivesse na alçada que ele pudesse contribuir. Essa era a expectativa nossa — disse Benedito.

PROPINA SÓ EM REAL

Já o executivo da Odebrecht Hilberto Silva contou aos procuradores da Lava-Jato que recebeu pedido de pagamento de propina em dólar, mas a política da empresa era sempre pagar em dinheiro vivo e em Reais. Ele disse que era comum alguns beneficiários do esquema pedirem dólares para gastar em viagens internacionais.

Propina só em Real

— Qualquer pagamento no Brasil era feito sempre em dinheiro e na moeda Real — relatou o delator: — Tinham umas pessoas que vinham com o pedido ‘ele vai viajar com a família’, o interessado final, ‘ele queria uma parte em dólar’.

Segundo o relato, gravado em vídeo e liberado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não havia negociação em relação ao pagamento em moeda estrangeira.

— Negativo. Eu dou os reais, ele vai no doleiro e compra o dólar. A moeda do país é Real e é nela que nós vamos trabalhar.

Fonte: O Globo

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