Conflito diplomático e diferença religiosa explicam Marrocos e Irã

MOSCOU – Azarões do grupo B, que tem Portugal e Espanha como favoritos, Marrocos e Irã precisam de muita fé para avançar na primeira fase da Copa do Mundo. E o comportamento de seus torcedores durante os últimos dias em São Petersburgo, no estádio Krestovsky, pode ajudar a indicar porque nesse duelo desta sexta-feira, às 12h (Brasília), não há tanto desequilíbrio. Os grupos foram os mais animados pela cidade, e interagiram bem, apesar de recente conflito diplomático que abalou o diálogo político, e da diferença religiosa — cada país preenche uma ala do islamismo. Os marroquinos são majoritariamente sunitas, enquanto os iranianos mais xiitas. LEIA MAIS: Técnico de Portugal:’Espanha joga igual há 10 anos’Reforço do Real, Vinícius Jr. aposta em boa relação com LopeteguiAbertura da Casa do Brasil na Copa é adiada por atraso no pagamentoIsso já serviu de explicação de um trio de amigos para prever a vitória de Marrocos. Fahd Cherradi, Karam el Mansouri e Mahdi Bemkirane entraram na mesquita de São Petersburgo nesta quarta-feira, fim do ramadã (jejum) — e posaram em frente ao monumento. Nesta quinta-feira, haverá um encontro com a presença de marroquinos pela manhã, antes do jogo, na mesma mesquita, azul como as arquibancadas do estádio de Krestovsky, local da partida. Abertura da Copa— Por isso eu acho que podemos arriscar um placar para amanhã — brincou Mahdi Bemirame, citando 2 a 0: — Não temos rivalidade com eles, as questões políticas não atrapalham — completou Fahd, estudante em São Petersburgo. Os iranianos, por sua vez, espalharam alegria por áreas diversas da cidade. Seja próximo a monumentos ou em bares, foram eles que deram o colorido nos últimos dias. Perto ao museu Hermitage, chegaram a puxar um bloco e posar para fotos com bandeiras, chapéus e bigodes de mentira. Embora menos caricatos, os marroquinos também se avolumaram até o dia do jogo e sabem que são favoritos na partida.A julgar pela buzina dos carros e os telefones em punho com a câmera ligada, os russos podem não gostar de futebol, mas já adotaram o Irã para torcer. Vai precisar. Será a sétima participação da seleção iraniana em mundiais, a segunda de forma consecutiva. Talvez por isso a animação para uma equipe que jamais passou da primeira fase. CONHEÇA: Mário Fernandes, o lateral brasileiro que é titular da RússiaFranceses campeões de 98 relembram o enigma Ronaldo e detalhes do vestiárioMarrocos, por outro lado, chega para a sua quinta Copa do Mundo, de volta após vinte anos — a última vez foi na França em 1998. É a seleção com mais jogadores nascidos em outros países e naturalizados, número que saltou de 2 para 17 da última participação para essa. A internacionalização do futebol marroquino só não foi maior por causa da derrota para os Estados Unidos, Canadá e México como sede da Copa de 2026, anunciada na última quarta-feira. Ben Moujaiane, marroquino que viaja muito a trabalho, confirmou a impressão dos demais de que não há rivalidade com o Irã, e chegou a agradecer ao Brasil por votar em seu país para sede. — Estamos tristes apenas por não sediar a Copa, mas agradecemos ao Brasil por ter tentado ajudar. Fora de campo, o clima azedou de vez quando o Marrocos cortou relações diplomáticas com os iranianos. Foi o próprio chanceler marroquino que levou a notícia a Teerã há um mês. Mandou que fossem retirados de Rabat todos os seus diplomatas, “sem demora”. A ordem foi cumprida à risca. Os diplomatas iraniano baseados na capital marroquina anunciaram de uma só vez — e já venderam — seus automóveis, antes de deixar o país. O motivo da ruptura está na acusação dos marroquinos de que um diplomata iraniano baseado em Argel, na Argélia, e o Hezbollah teriam facilitado a venda e remessa de armas para a frente Polisário, grupo político que busca a independência do Saara Ocidental e pela auto-determinação do povo sarauí desde 1973. Trata-se de uma questão nacional para o Marrocos, que diz ser soberano sobre essa região. Esta é uma grande bandeira internacional do país. O Saara Ocidental é do tamanho do Marrocos, que o considera uma região separatista. Não existe consenso internacional sobre o seu status, na verdade, que é visto como uma espécie de terra de ninguém. Há um processo nas Nações Unidas. Rabat, por sua vez, também fechou sua representação diplomática no Irã. As Nações Unidas atuam desde 1988 para resolver o conflito. A tendência é que a disputa não se refletia nas arquibancadas.
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