Cinema de rua de Porto Alegre completa 90 anos com foco na diversidade da programação

Inaugurado em 1928, o Cine Theatro Capitólio chegou a fechar as portas e precisou passar por uma restauração. Desde a reabertura em 2015, a Cinemateca Capitólio, uma das poucas no Brasil, funciona como um centro cultural. Programação especial foi preparada para o mês de aniversário. Fachada da Cinemateca Capitólio, um dos espaços culturais mais antigos e importantes de Porto Alegre
Eduardo Beleske / PMPA
Um prédio histórico que abriga um dos poucos cinemas de rua que ainda resistem em Porto Alegre. A Cinemateca Capitólio completa 90 anos nesta sexta-feira (12), combinando sala de exibição, café e espaço de preservação da memória do cinema gaúcho. Para comemorar o aniversário, uma programação especial foi montada (confira abaixo).
O cinema, que já chegou a comportar mais de mil pessoas, hoje oferece 164 cadeiras, já que foi transformado em um centro cultural. Grande parte do prédio foi destinada à biblioteca e ao acervo documental, que guarda raridades ligadas a produções e cineastas locais e nacionais.
Inaugurado na década de 1920, quando ainda era chamado de Cine Theatro Capitólio, o luxuoso espaço de estilo eclético chegou a fechar as portas em 1994, mas, graças à união de cineastas que defenderam sua reabertura, começou a ser restaurado em 2004. Foi reaberto após 10 longos anos de espera e, desde então, segue atraindo porto-alegrenses e turistas de todas as idades em busca de estreias e clássicos.
“É um espaço da cidade. Só faz sentido existir se a cidade entende que ele faz diferença”, entende a coordenadora de Cinema, Vídeo e Fotografia e diretora da Cinemateca, Andreia Vigo.
Os frequentadores são amantes do cinema. Por vezes, jovens conhecendo filmes clássicos, por outras, idosos que estão revendo e já possuem outra relação com o imponente espaço na esquina da Borges de Medeiros com a Demétrio Ribeiro, no Centro da capital.
No primeiro semestre de 2018, a média de público por sessão foi de 33 pessoas. “Acima de cinemas de shoppings. Média íncrível”, vibra o programador do Capitólio, Leonardo Bomfim.
Além das sessões, Capitólio promove debates sobre os filmes exibidos
Juliana Alabarse / Divulgação PMPA
Pluralidade na tela
A cabine de projeção do Capitólio é equipada com um projetor 35mm e um Digital Cinema Package 2k. Há um ano e meio, o cinema exibe além de película, filmes no formato digital. Essa possibilidade aumentou o leque de opções para a programação. “Nos permite uma variedade muito maior”, garante o programador.
A sala mistura estreias a filmes clássicos e premiados, que acabam não tendo espaço na maior parte dos cinemas da capital. “Porto Alegre é uma cidade muito cinéfila, tem muito público querendo ver os filmes e havia filmes que não chegavam na cidade”, explica o programador.
Para construir a programação do Capitólio, Leonardo garante que há uma preocupação e um compromisso muito grande com a diversidade. Por isso, abre-se espaço para filmes experimentais e de outros países, como Burkina Faso, considerada a capital das produções audiovisuais africanas.
“Um destaque que é legal é que neste ano exibimos muito filmes africanos. A programação de cinema no Brasil é muito branca, calcada num cinema hegemônico americano europeu”, observa.
Leonardo aponta o racismo como um dos motivos pelos quais produções feitas e protagonizadas por pessoas negras acabam não entrando no circuito convencional. “Mostrar que esses rostos são lindos também e que essas pessoas são incríveis. O cinema é muito poderoso nesse sentido”, defende.
A partir de 13 de outubro, a Cinemateca Capitólio Petrobras apresenta a mostra Obras-Primas de 1928, com 10 grandes filmes realizados no ano da abertura do Cine Theatro
Divulgação/SMC PMPA
Programação especial
Para o mês de aniversário do Capitólio, uma programação especial foi preparada. A mostra Obras-Primas de 1928 vai exibir 10 filmes realizados no ano da abertura do Cine Theatro Capitólio. Entre eles, A Paixão de Joana d’Arc, de Carl Theodor, O Circo, de Charles Chaplin, e A Montanha do Tesouro, de Aleksandr Dovjenko. O valor do ingresso é R$ 10, com meia-entrada para estudantes e idosos.
Horários e sessões
Sábado, 13
14h – O Circo
16h – Novos Horizontes + debate
20h – A Paixão de Joana d’Arc
Domingo, 14
14h – O Homem das Novidades
16h – Vento e Areia
18h – Premiados na Mostra Gaúcha de Gramado 1 + debate
20h – Premiados na Mostra Gaúcha de Gramado 2 + debate
Segunda-feira, 15
19h30 – Djon África + debate
Terça-feira, 16
14h – Braza Dormida
16h – Um Dia
18h – Solidão
20h – A Concha e o Clérigo + A Queda da Casa de Usher
Quarta-feira, 17
14h – O Circo
16h – Um Dia
18h – A Montanha do Tesouro
20h – A Turba
Quinta-feira, 18
14h – Vento e Areia
16h – Um Dia
18h – A Paixão de Joana d’Arc
20h – Solidão
Sexta-feira, 19
14h – A Turba
16h – Um Dia
18h – O Homem das Novidades
19h30 – Projeto Raros (Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro)
Sábado, 20
14h – Um Dia
15h40 – Yonlu
18h – Bancando o Águia + debate sobre a preservação dos cinemas de rua
Domingo, 21
14h – A Concha e o Clérigo + A Queda da Casa de Usher
16h – Um Dia
18h – Pré-estreia de Música Para Quando as Luzes se Apagam
Terça-feira, 23
14h – A Turba
16h – Um Dia
18h – Solidão
20h – Braza Dormida
Quarta-feira, 24
14h – O Circo
16h – Um Dia
18h – A Paixão de Joana d’Arc
20h – A Montanha do Tesouro
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