China promete manter moeda estável para evitar guerra cambial com EUA

BALI – O presidente do Banco Central da China, Yi Gang, prometeu manter o valor do yuan “amplamente estável”, sinalizando que Pequim pode estar tentando evitar que a disputa comercial com os Estados Unidos se transforme em uma guerra cambial.”A China continuará deixando o mercado desempenhar um papel decisivo na formação da taxa de câmbio”, disse Yi Gang em comunicado ao Comitê Monetário Internacional, divulgado no sábado. “Não nos envolveremos em desvalorização competitiva e não usaremos a taxa de câmbio como uma ferramenta para lidar com restrições comerciais”. china 1310O yuan caiu mais de 8% em relação ao dólar desde o final de abril para cerca de 6,91 na sexta-feira, perto do nível de 7,0 que não era visto em uma década.A declaração do executivo chinês foi feita durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Bali, na Indonésia, e ocorreu no mesmo dia em que o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, disse que a desvalorização do yuan não é do interesse da China.Mnuchin reiterou suas preocupações de que uma grande queda no valor do yuan este ano em relação ao dólar possa ser parte de um esforço para obter uma vantagem comercial para as exportações chinesas ou para compensar o impacto das tarifas norte-americanas.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusa a China de baratear sua moeda para obter uma vantagem comercial, alegações rejeitadas por Pequim. O Tesouro dos EUA deve divulgar um relatório sobre manipulação de moeda na próxima semana.Sua declaração ecoa as promessas feitas em um comunicado emitido pelos países-membros do FMI para intensificar o diálogo comercial, depois do aumento de tensões tarifárias, e os altos custos dos empréstimos que ameaçam derrubar o crescimento global.Política monetáriaApesar das garantias do banco central chinês sobre a política monetária, alguns analistas dizem que a fraqueza do yuan persistirá, já que não há um caminho claro para resolver a disputa comercial EUA e China, e as tarifas mais altas devem começar a ser cobradas em janeiro.Na quinta-feira, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, alertou os países contra o envolvimento em guerras cambiais e comerciais, que prejudicariam o crescimento global, bem como nações “inocentes”, incluindo mercados emergentes que fornecem commodities. Alguns desses países, incluindo a Indonésia, o anfitrião das reuniões do FMI e do Banco Mundial, já estão lutando para conter as saídas de capital motivadas pelas altas taxas de juros nos EUA.Os temores de que as taxas possam subir acentuadamente – e as tensões comerciais internacionais – provocaram uma forte onda de desvalorização nos mercados acionários globais na última semana.O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, alertou neste sábado que um “recuo” nas taxas e uma forte reprecificação dos ativos são os maiores riscos para as perspectivas econômicas.O vice-presidente do Federal Reserve, Randal Quarles, disse que o banco central dos EUA considera o efeito de suas ações nos mercados emergentes e que acertar a política monetária interna era a prioridade do Fed.Ameaça ao crescimento global Ao culpar a disputa comercial sino-americana e as condições financeiras mais apertadas nos mercados emergentes, o FMI cortou esta semana as previsões de crescimento global para 2018 e 2019.”A recuperação é cada vez mais desigual, e alguns riscos previamente identificados foram parcialmente materializados”, disse o comunicado do Fundo, referindo-se à guerra comercial.Os Estados Unidos e a China aumentaram a cobrança e sobretaxas de produtos ao longo dos últimos meses, motivados pelas exigências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mudanças radicais na propriedade intelectual da China, subsídios industriais e políticas comerciais.Além disso, espera-se que novos aumentos das taxas do Federal Reserve sustentem a força do dólar e aumentem as pressões de saída de capital nas economias de mercado emergentes.
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