Cannes: Diretor de 'Corrente do mal' apresenta filme protagonizado por Andrew Garfield

CANNES, França — Quatro anos depois de assustar a Croisette com o thriller de terror “Corrente do mal” (2014), lançado na mostra paralela Semana da Crítica, David Robert Mitchell está de volta ao Festival de Cannes, agora promovido à competição pela Palma de Ouro. (Veja a programação completa de do Festival de Cannes 2018).

Exibido no final da noite desta terça-feira (15) em sessão de gala, “Under the Silver Lake” é uma história de iniciação tardia na maturidade, ambientada no lado B da Los Angeles das estrelas de cinema e das festas à beira de piscinas, povoada de personagens obscuros e lugares sombrios.

Andrew Garfield interpreta Sam, um rapaz em seus 30 e poucos ainda sem rumo na vida, desempregado e a ponto de ser despejado, e cujo único objetivo é ficar famoso na capital da indústria do entretenimento. Ele começa a perder o foco de quando decide descobrir o paradeiro de Sarah (Riley Keough), a bela e misteriosa vizinha, em busca que o conduz pelo submundo de escândalos e assassinatos da Cidade dos Anjos.

A trama de “Under the Silver Lake” brinca com o imaginário pop – o ídolo de Sam é Kurt Cobain (1967-1994) e ele coleciona posters de filmes de terror de diferentes décadas; sua mãe é obcecada pela atriz Janet Gaynor (1906-1984); enquanto Sarah é aficionada pelo filme “Como agarrar um milionário” (1953), de Jean Negulesco, com o trio Marilyn Monroe, Betty Grable e Lauren Bacall.

Mas o longa-metragem, produção independente recebida sem qualquer entusiasmo pela plateia de jornalistas, revela-se um labirinto de situações enfadonhas, que se arrasta entre personagens desinteressantes, e que não consegue atingir o nível o suspense desejado.

O diretor diz que “Under the Silver Lake” – o título faz referência a um lago da cidade em torno do qual se constrói muito do mistério da história – foi inspirado pela paisagem urbana de Los Angeles, de ruas limpas e vazias de vida humana.

— Tudo nasceu de uma conversa com minha mulher. A gente olhava para as casas nas colinas da cidade e ficávamos imaginando o que acontecia dentro delas. O roteiro foi saindo de mim como um sonho febril — contou Mitchell durante o encontro com a imprensa, marcada pela ausência dos atores protagonistas, no final da manhã desta quarta-feira (16). — O mistério é construído no tecido do filme. Todos, incluindo o personagem principal, se sentem irreconhecíveis. Eles são como fantasmas, não são homens ou mulheres.

CONHEÇA TODOS OS FILMES EM COMPETIÇÃO

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“Burning”, de Lee Chang-dong

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“Capharnaüm”, de Nadine Labaki

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“Dogman”, de Matteo Garrone

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“Les filles du soleil” , de Eva Husson: Filme sobre mulheres que lutam contra o EI divide crítica em Cannes

“Lazzaro Felice”, de Alice Rohrwacher: Filme italiano causa sensação na sessão de gala

“Le livre d’image”, de Jean-Luc Godard: Godard participa de coletiva de imprensa via internet em Cannes

“Knife + heart”, de Yann Gonzalez

“The little one”, de Sergey Dvortsevoy

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“Shoplifters”, de Hirokazu Kore-eda: Em ‘Shoplifters’, Kore-eda retrata família informal no Japão

“Leto”, de Kirill Serebrennikov: Cadeira vazia em coletiva marca ausência de diretor russo preso

“3 faces”, de Jafar Panahi: Ausente em Cannes, Jafar Panahi é personagem de ‘3 faces’, seu novo filme

“Under the Silver Lake”, de David Robert Mitchell

“The wild pear tree”, de Nuri Bilge Ceylan

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