Campanha da Justiça de SP estimula adoção de crianças acima de 8 anos


Em um ano, quatro crianças e pré-adolescentes foram adotados. Mais da metade dos meninos e meninas que esperam adoção já passaram desta idade. Campanha em SP incentiva a adoção de crianças com mais de 8 anos
Neste 12 de outubro, o repórter Roberto Kovalick mostra a importância de uma campanha da Justiça de São Paulo, que começou há um ano. O objetivo é estimular a adoção de crianças mais velhas.
É o primeiro dia das crianças em que Davi recebeu esse presente: um abraço dos pais. E, de quebra, uma lambida do cachorro. Também não faz um ano que o Pedro tem uma rotina assim: comer pipoca com os pais em casa. Ele foi adotado por um casal homoafetivo.
“Assim que ele veio morar aqui, ele só teve a primeira dúvida: se chamasse pai, como que a gente saberia qual pai estava se referindo”, diz Antonio Sergio Melo Barbosa, que é psiquiatra.

“A assistente social do abrigo chegou e falou: olha, esse é o Eduardo, a Elaine, eles querem ser seus padrinhos. Aí ele falou que queria e a gente teve uma das melhores sensações. Ele veio, ele me abraçou, me chamou de pai. Fez isso nela, chamou ela de mamãe”, conta Eduardo Ferro de Souza ao lado da mulher Elaine Marcolina.
Nos dois casos, ter uma família foi quase como ganhar na loteria. Pedro foi adotado aos 11 anos. Davi é mais novo, tem 5 anos, mas sofre de uma deficiência mental. Os dois estavam naquela categoria de crianças e adolescentes que têm pouquíssima chance de adoção. O mais comum é as famílias preferirem bebês. Foi por isso que, há exatamente um ano, o juiz Iberê Castro, do Tribunal de Justiça de São Paulo, criou o programa “Adote um boa noite”.
Um site na internet mostra as crianças acima de 8 anos que podem ser adotadas. Funcionava só em dois fóruns da capital e agora foi ampliado para todo o estado de São Paulo. Neste período, quatro crianças e pré-adolescentes já foram adotados e outros 17 estão em processo de adoção.
Clique aqui para conhecer o site.
“A gente percebeu, a partir de experiências com o trabalho, no dia a dia, que as pessoas sequer tinham pensado numa possibilidade da adoção de uma criança com mais de 8 anos ou de um adolescente”, explica o juiz.
A adaptação não é fácil, mas é comum o amor à primeira vista.
Depois dos primeiros meses de convívio, vira família, com seus pequenos problemas. No caso do Pedro, é a negociação para usar o celular.

O hábito do “boa noite”, a eterna briga pelo uso do celular, pequenos hábitos de família que a gente já nem liga muito nem presta muita atenção. É tudo que esses adolescentes e crianças desejam. Eles têm entre 10 e 15 anos, estão esperando adoção, uma família. Algo que fica cada vez mais distante a cada ano que passa.

Para incentivar a adoção dos mais velhos, a Justiça de São Paulo leva os meninos e meninas a lugares onde possa haver famílias em potencial. Na semana passada, um grupo entrou em campo com os jogadores, no clássico São Paulo e Palmeiras. Que criança apaixonada por futebol não sonha fazer isso?
Mas sabe quando eles ficarão realmente felizes? Quando ganharem beijos e abraços e puderem dizer: “Boa noite, mãe” ou “boa noite, pai”.
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