Associação de Amigos da EAV do Parque Lage anuncia auditoria de suas finanças

RIO – A Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (Ameav) anunciou nesta sexta-feira que está contratando uma auditoria completa de suas finanças e publicará em seu site todas as contas enviadas ao governo do Estado do Rio. A decisão foi tomada um dia depois de o secretário estadual de Cultura, Leandro Monteiro, ter alegado um “conflito de posicionamentos em relação aos recursos obtidos com o aluguel do Parque Lage para eventos privados, que atualmente são revertidos diretamente para a Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais (Ameav)” para exonerar seu diretor, Fabio Szwarcwald (já recondizido ao cargo).”As contas da Ameav são enviadas de forma detalhada à Secretaria de Cultura, mensalmente, na forma do Acordo de Cooperação. Para que não pairem quaisquer dúvidas, a Ameav está contratando uma auditoria”, diz a nota divulgada pela associação. Ao tentar justificar a exoneração de Szwarcwald, Monteiro disse que os aluguéis deveriam ser pagos ao Estado, para que depois os recursos fossem repassados ao Parque Lage. “Existe uma comissão com funcionários das secretarias de Fazenda e da Cultura que já vem levantando as contas da Ameav, para dar mais transparência à questão dos eventos privados no Parque Lage”, disse o secretário, na ocasião.Na nota, a direção da Ameav rebate, explicando que a associação não tem fins lucrativos e que seus membros são cidadãos comuns, “cuja reputação e credibilidade falam por si e que emprestam uma fatia considerável de seu pouco tempo disponível, sem qualquer contrapartida, para salvar a icônica Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV de um fim melancólico a que estava destinada, em face à grave crise financeira e administrativa por que passa o Estado do Rio de Janeiro”.Ainda de acordo com a nota, o ex-secretário de Cultura André Lazaroni foi quem firmou um Acordo de Cooperação com a Ameav, pelo qual a associação tem o direito de exploração do imóvel do Parque Lage, “com o fim único de prover recursos para a EAV”. “Por esse Acordo, cabe ao Estado pagar apenas pela segurança, limpeza, manutenção e, naturalmente, pelos salários de seus funcionários destacados à EAV. Os demais custos de manutenção da EAV (que não são poucos) são arcados pela Ameav”, na nota. Ainda segundo o documento, “o Estado há muito, não cumpre ou cumpre mal a sua parte no Acordo. Raros são os meses em que a segurança é paga (este mês tivemos o roubo de vários computadores e já houve ocasião de o Parque Lage fechar suas portas por falta de segurança), os funcionários passam meses sem receber seus salários e muitos foram exonerados para serem em seguida recontratados pela Ameav, os serviços de limpeza e jardinagem são pagos de vez em quando e a manutenção do belíssimo complexo arquitetônico do Parque Lage é, para dizer o mínimo, sofrível”.”De transparência, a Ameav não tem medo”, finaliza a nota.LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA:Em resposta à entrevista do Exmo. Sr. Secretário de Estado da Cultura, Coronel-Bombeiro Leandro Monteiro, publicada em matéria do jornal “O Globo” de hoje intitulada “Fábio segue na direção da EAV, mas faremos mudanças”, a Associação de Amigos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage – AMEAV, gostaria de esclarecer o quanto se segue:A AMEAV é uma associação sem fins lucrativos, cujo Conselho e Diretoria são formados exclusivamente por cidadãos cuja reputação e credibilidade falam por si e que emprestam uma fatia considerável de seu pouco tempo disponível, sem qualquer contrapartida, para salvar a icônica Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV de um fim melancólico a que estava destinada, em face à grave crise financeira e administrativa por que passa o Estado do Rio de Janeiro.Por seu caráter de escola livre, que formou alguns dos mais destacados artistas plásticos brasileiros, a EAV não é, nem poderia ser, lucrativa. O seu fim é formar artistas plásticos e não ser uma escola comercial.Por entender a importância da EAV no cenário nacional e a dificuldade que o Estado teria em prover os recursos adequados para a manutenção da escola, o ex-Secretário de Cultura André Lazaroni firmou um Acordo de Cooperação com a AMEAV, pelo qual a AMEAV tem o direito de exploração do imóvel do Parque Lage, com o fim único de prover recursos para a EAV.Por esse Acordo, cabe ao Estado pagar apenas pela segurança, limpeza, manutenção e, naturalmente, pelos salários de seus funcionários destacados à EAV. Os demais custos de manutenção da EAV (que não são poucos) são arcados pela AMEAV.Os recursos da exploração do imóvel são limitados, porém essenciais: em torno de oito eventos por ano (existem hoje várias restrições ao uso do Parque Lage para festas privadas, seja por conta do ruído que incomoda a vizinhança, seja pelo fato de se tratar de imóvel tombado), o aluguel do café/restaurante, e uma pequena loja de souvenirs.O Estado, há muito, não cumpre ou cumpre mal a sua parte no Acordo. Raros são os meses em que a segurança é paga (este mês tivemos o roubo de vários computadores e já houve ocasião de o Parque Lage fechar suas portas por falta de segurança), os funcionários passam meses sem receber seus salários e muitos foram exonerados para serem em seguida recontratados pela AMEAV, os serviços de limpeza e jardinagem são pagos de vez em quando e a manutenção do belíssimo complexo arquitetônico do Parque Lage é, para dizer o mínimo, sofrível.O admirável trabalho de gestão de Fabio Swarcwald à frente da EAV, combinado com a credibilidade e respeitabilidade da administração da AMEAV, permitiu que se arrecadassem doações que permitiram que a EAV voltasse a dar bolsas de estudo, reformasse as cavalariças (que estão como novas), organizasse a mostra Queermuseu no Rio de Janeiro e voltasse a ter o merecido destaque no cenário nacional.É curioso, portanto, que o Secretário de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, com tantos problemas de gestão que há de ter em outras searas, volte seus olhos com cupidez para talvez o único equipamento que poderia ser considerado bem-sucedido em sua gestão, exatamente pelo fato de suas receitas e despesas estarem longe do caixa do Estado.As contas da AMEAV são enviadas de forma detalhada à Secretaria de Cultura, mensalmente, na forma do Acordo de Cooperação. Para que não pairem quaisquer dúvidas, a AMEAV está contratando uma auditoria completa de suas finanças e fará publicar em seu site todas as contas enviadas ao Estado. De transparência, a AMEAV não tem medo. Conselho da AMEAVMarcelo Viveiros de Moura – PresidenteGeorge Kornis – Vice PresidenteNelson EizrikEugenio Pacelli Pires dos SantosGustavo Martins de AlmeidaAlvaro Piquet Pessoa
Leia a notícia completa em O Globo Associação de Amigos da EAV do Parque Lage anuncia auditoria de suas finanças

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