Artigo: Ivone, dona de uma vida intensa, cheia de realizações e obstáculos superados

40313108_2506.1999 - DIVULGAÇÃO - SC - ZÉLIA DUNCAN E DONA IVONE LARA ESTÃO JUNTAS NO CD A CASA DE S.jpgRIO — “Dona Ivone, mas que honra recebê-la aqui em casa!”

Pois é, tive sim, essa imensa honra, de ter Dona Ivone no meu cafofo por umas horas, graças a Moacyr Luz, que cismou de me convidar, nos idos de 2007, para participar de um projeto literário lindo e pouquiíssimo divulgado, que se chamou “Álbum de retratos”.

Eu, que já vivera o privilégio de gravar com ela no saudoso “A casa de samba”, o clássico dela e seu Délcio Carvalho, “A sereia Guiomar”, aceitei a incumbência de escrever todas as legendas de seu álbum de fotos. Deveria ser cronológico e, claro, a delícia de ouvir dela e transcrever do meu jeito, a descrição de cada foto.

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Ela fazia, naquele ano, 60 anos de carreira, contando desde sua primeira melodia. Portanto, quando fechou os olhos para seu merecido descanso, já levava com ela mais de 70 dedicados ao samba e à canção. O samba imortal de Dona Ivone Lara

Transcrevo pra vocês o pedacinho final de nosso livro: “Citada por qualquer um que queira dissertar sobre o samba. Uma vida intensa, cheia de realizações e obstáculos superados. Então, para encerrar, uma pergunta banal, mas que estava me deixando curiosa… Dona Ivone, a senhora consegue destacar, entre tantos momentos, sua maior alegria? Nossa, foram tantas…Cecy Faria, já ouviu falar? Era uma artista despachada, que preparou as alunas do Orsina para encenarem uma peça de teatro, pelo aniversáio da escola. Eu ainda não tinha 16. Só que ela me escalou pra cantar. Foram muitas palmas e até flores. (Ela sorri, olha pro chão…) Ah, eu tomei gosto! Emocionada, eu me disfarço e aprendo de novo que só assim, com muito gosto, é que se dedica tanto tempo e devoção a uma carreira de verdade”.

Sei que nunca vou me despedir daquele dia e de tudo que experimento, quando perto de sua voz e suas composições. Foi Ana Costa que me mandou um dia o samba que gravei e que alimenta a alma nesses tempos desalmados! “Em cada canto uma esperança”, dela e seu Délcio, a estrofe final diz assim: “Eu me amarro no meu samba/ E meu pensamento se agita/ É a forma mais bonita/ De empurrar os meus dias/ O meu samba principia/ Quando amo de verdade/ E se vai sem fantasia/ Na mais pura liberdade”.

Obrigada, Dona Ivone, voa nas asas do tiê!


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