Após homofobia de diretor, clube do DF terá de conscientizar sócios sobre direitos humanos


‘Aqui não é clube de viado, é clube de homem’, disse gestor a frequentadores; cena foi gravada em vídeo. Justiça também definiu indenização de R$ 3 mil. Vídeo mostra diretor do clube Agepol, em Brasília, ofender jovem por ser homossexual
A associação dos servidores da Polícia Civil do Distrito Federal (Agepol) terá de promover, no clube da entidade, campanhas de conscientização sobre os direitos LGBT e o combate à homofobia.
A medida faz parte de um acordo mediado pela Justiça do DF, referente a ofensas proferidas por um diretor do clube contra dois frequentadores do local, em outubro do ano passado. A ação foi registrada em vídeo.
Nas imagens (veja acima), o homem acusa os dois jovens de estarem “usurpando” o clube, e critica a conduta deles. “Se não saírem, eu não saio daqui. Vocês estão expulsos do clube, podem sair. Eu tô mandando vocês sair. Respeita o ambiente. Aqui não é clube de viado, é clube de homem, rapaz.”
O acordo prevê que a Agepol distribua, no clube, material de conscientização sobre direitos LGBT e combate à homofobia. Além diso, até o dia 15, a associação deve promover uma palestra sobre “combate à homofobia, e direitos humanos” para os diretores do clube,
Segundo material divulgado pelo Tribunal de Justiça, os responsáveis jurídicos do clube se desculparam com os dois jovens ofendidos durante a audiência de conciliação. O acordo prevê indenização de R$ 3 mil às vítimas, por danos morais, e multa se a determinação da palestra for descumprida.
Relembre
Um dos jovens ofendidos afirmou ao G1 que a discussão começou quando ele se preparava para ir embora do clube, acompanhado de um amigo.
Diretor do clube da Agepol, em Brasília, pede para jovem e amigo deixarem local por ‘viadagem’
TV Globo/Reprodução
Ao ver os dois se abraçando, o servidor teria encarado a cena e, minutos depois, abordado a dupla. “Foi a primeira vez que passei por isso e em um local que nem imaginava. Mostrei as imagens para os meus pais e eles ficaram revoltados”, afirmou.
Na época, o diretor administrativo da Adepol disse que o servidor que aparece nas imagens “não soube se expressar como devia”, mas que o jovem e o amigo não respeitaram as regras do espaço.
“Temos famílias que aceitam e famílias que não aceitam. Temos crianças. Não admitimos que fiquem se abraçando, se beijando, sentando no colo.”
Confira trecho das agressões:
Agressor: Vocês estão usurpando o clube aqui. Não aceitamos isso aqui dentro do clube.
Vítima: Isso o que? O que você não aceita? Viadagem?
Agressor: Viadagem, não. É lá na p*** que p… é do portão pra fora.
Vítima: Você tem essa regra escrita?
Agressor: Não, nós… nós impomos nossa regra.
Vítima: Tá escrito que você não aceita viado aqui no clube. É isso?
Agressor: Não, aqui no clube não tem viado, não. É do portão pra fora.
Vítima: Não? Certeza?
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