Wired Festival: Mais barato, sequenciamento genético já está sendo usado em diagnósticos


RIO – Em cerca de uma década, o custo para o sequenciamento de um genoma caiu de US$ 10 milhões para cerca de US$ 1,5 mil, o que transformou a tecnologia, antes restrita a grandes centros de pesquisa, a uma ferramenta usada no diagnóstico e tratamento de doenças, sobretudo o câncer. LINKS WIRED 2012-2— Hoje, a gente não consegue mais fazer oncologia sem a genética — afirmou o médico João Bosco, fundador da Genomika Diagnósticos, em palestra no Wired Festival.O uso da genética na oncologia pode acontecer mesmo antes do aparecimento da doença. O caso mais conhecido é o da atriz Angelina Jolie, que por ter alto risco de desenvolver câncer de mama, detectado por exames genéticos, resolveu pela mastectomia.— Se você sabe que tem mais risco que os outros, pode aplicar tratamentos específicos antes do aparecimento da doença — defendeu Bosco, ressaltando que os exames não se restringem a tumores, mas a outras doenças, incluindo riscos de cardiopatias. — Sabendo disso, você pode se dedicar mais à corrida na praia.O sequenciamento genético também está sendo usado para o diagnóstico precoce do câncer. Por meio de uma técnica conhecida como biópsia líquida, é possível detectar o DNA de tumores no sangue, permitindo o diagnóstico antes do surgimento dos sintomas.No tratamento, o sequenciamento genético permite terapias individualizadas. Nos tumores de pulmão, por exemplo, são oito genes diferentes que já possuem exames e medicamentos específicos.— Antes, o tratamento era quimioterapia para todo mundo e alguns pacientes respondiam e outros não. Agora, a gente determina qual o melhor tratamento para cada paciente — afirmou Bosco. — No câncer de pulmão, cerca de 30% dos pacientes podem se beneficiar dessa tecnologia.Para o futuro, Bosco prevê que ao nascer as pessoas terão o seu genoma sequenciado, para o diagnóstico imediato de possíveis doenças e avaliação de riscos ao longo da vida. Mas isso levanta um dilema ético: como proteger esses dados. Planos de saúde poderiam cobrar mais por clientes de alto risco, empregadores poderiam negar contratações.— A preocupação com esses dados é bastante grande, porque são muito sensíveis — afirmou o médico. — Se eu sei que você tem risco de desenvolver câncer em três anos, por que vou te contratar? Por isso, é preciso que o compartilhamento dessas informações com terceiros seja proibida.
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