Wired Festival: Especialistas apontam que o futuro da comunicação está na segmentação


RIO – Da Bíblia de Gutemberg à TV muito se avançou na forma de distribuição de conteúdo, mas a distribuição em massa manteve a sua estrutura: poucos usando um canal para falar com muitos. Com a internet e, sobretudo, as redes sociais, esse modelo foi alterado. Reunidos no Wired Festival, jovens que estão se aproveitando dessa ferramenta para novos negócios, criando grupos no Facebook ou dando voz à diversidade, contaram suas histórias para jogar luz sobre o futuro da comunicação.Kaerre Neto, criador do grupo Lana Del Rey Vevo, que alcança mais de 30 milhões de interações diárias no Facebook, acredita no poder de “colmeias influenciadoras”. De forma coletiva, eles conseguem ampliar sua comunicação e influência, em ações coordenadas, para fora do círculo.— O que parece mais relevante, a opinião de um influenciador digital com 5 milhões de seguidores ou a de 500 mil pessoas dizendo a mesma coisa — comparou Kaerre. — Ontem a gente publicou o Instagram de uma ONG que precisava de 500 mil seguidores para ganhar ração para animais. Hoje eles já bateram essa marca.E é exatamente em grupos fechados, como o Lana Del Rey Vevo, que a comunicação de marcas acontece nos dias de hoje, afirma Felipe Simi, fundador da agência Soko. As pessoas que estão no Facebook dificilmente farão um elogio a um produto na sua linha do tempo. Mas o fazem em grupos fechados e no WhatsApp.— 86% de todas as menções de marca acontecem em ambientes não controlados na internet, os grupos fechados em redes sociais, basicamente — afirmou Felipe. — Só 14% das menções são públicas. A gente precisa saber o que está acontecendo nesses grupos para tomar decisões.As novas tecnologias provocaram mudanças profundas na comunicação, criando novos espaços para a difusão de ideias, permitindo que o grupo criado por Kaerre no interior da Bahia tenha voz. A próxima revolução, dizem Thaís Fabris e Maria Guimarães, criadoras da agência 6510, será das pessoas, com a inclusão das minorias.— Quando se fala sobre inovação pensamos em algoritmos, inteligência artificial, mas a próxima revolução vai acontecer nas tecnologias que são passadas oralmente, com mensagens que são recebidas por mulheres, negros e LGBTs que nunca tiveram voz no sistema – afirmou Maria. – Mostrar novos pontos de vista, isso é inovar.Jornalismo das periferiasDar espaço para a diversidade também foi o tema dos jornalistas Nina Weingrill, da Énois Conteúdo, e Rene Silva, da Voz das Comunidades. Por caminhos distintos, os dois criaram projetos para falar da periferia, a partir do ponto de vista da periferia. Entre os projetos de Nina está um guia gastronômico da periferia de São Paulo, e Rene contou como se tornou conhecido em todo o mundo, quando, aos 17 anos, narrou a invasão do exército ao Complexo do Alemão.— Nós jornalistas, de grandes redações, estávamos cegos, muito distantes da realidade da maioria da população — comentou Nina.
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