Wired Festival: Empresas sem valor social morrerão rapidamente, diz empreendedor


RIO – As empresa duram cada vez menos tempo. Das que existiam antes de 1980, 80% foram extintas; mais 17% delas devem seguir o mesmo caminho nos próximos cinco anos. Há duas razões principais para isso: produção de inovações irrelevantes e uma profunda desconexão com o “zeitgeist”, o espírito do tempo, os valores em voga na sociedade contemporânea.Para dar sobrevida a qualquer companhia, é preciso criar valor social, defendeu o paulistano Rogério Oliveira, criador da Yunus Negócios Sociais, na palestra no Wired Festival, que acontecenesta sexta-feira na Casa França-Brasil e no Centro Cultural dos Correios, no centro do Rio.— Pela primeira vez na história recente, fazer o bem para as pessoas e para o planeta significa gerar valor para sua empresa — disse Oliveira. LINKS WIRED 2012-2Segundo ele, vivemos a “era da pós-sustentabilidade”, na qual não basta deixar de criar problemas para o mundo (seja ambientais, seja éticos): é preciso aumentar o valor social para sobreviver.— A verba de responsabilidade social era o que sobrava do lucro do negócio principal. Hoje, as empresas já estão matando essa noção. A conta do valor social que você gera já terá de fazer parte do negócio.Ele citou exemplos de negócios sociais, como o de um iogurte da Danone que não precisa de refrigeração — o que reduz os custos de distribuição e armazenagem, além de ser acessível para pessoas que vivem em regiões com falta de energia elétrica — ou um condicionador de ar inventado pela Intel que não requer energia para funcionar.Oliveira mencionou também um projeto em que se envolveu diretamente: a criação da AMA, marca de água da Ambev que se tornou o primeiro negócio social corporativo no Brasil.— Eles não atuavam na categoria de águas, criaram um produto novo onde 100% do lucro virou recurso para organizações que lidam com o problema de acesso à água no semiárido.Em quatro meses, o produto passou da ideia à existência. Hoje, seus lucros bancam 28 projetos em 29 comunidades, atendendo a um total de 26 mil pessoas na região do semiárido.Oliveira decidiu se envolver com essa área após ler o livro “Criando um negócio social”, do economista bengali Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006 e pai do microcrédito.O conceito de “negócio social”, no qual os investidores não retiram dividendos — os lucros são reinvestidos na própria empresa e em seus objetivos sociais — mistura as metas de uma ONG (maximizar o impacto social) e a lógica autossustentável de uma empresa tradicional.O setor já movimenta mais de US$ 228 bilhões — o equivalente a R$ 880 bilhões — no mundo inteiro, com mais de 11 mil projetos recebendo investimento apenas em 2017.— Às vezes, as empresa recebem muitos sinais de que estão desconectadas dos valores da sociedade, mas não têm capacidade ou coragem de fazer as mudanças necessárias. Não significa não ter lucro, a empresa pode ser muito lucrativa. A reflexão é o que estamos fazendo com esses recursos, por que não mantemos eles abundantes no sistema, para encontrarmos soluções para os problemas da humanidade?O Wired Festival é uma realização de Edições Globo Condé Nast e O Globo, com patrocínio master da Petrobras; patrocínio da Embratel, AMBEV e Johnnie Walker; apoio grupo Pão de Açúcar e do RioCard; participação WeWork; e produção SRCOM.
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