Wired Festival: Bioengenheiro aponta problemas éticos em modificações genéticas


RIO — O americano James Dahlman, do Departamento de Engenharia Biomédica do Instituto de Tecnologia da Geórgia, usou o palco do Wired Festival para criticar o experimento supostamente realizado na China, com o nascimento de bebês geneticamente modificados.— Se for verdade, é uma loucura, algo terrível e antiético — comentou Dahlman. — E do ponto de vista científico, é uma ideia estúpida.O CRISPR, supostamente usado no experimento chinês, é uma poderosa ferramenta de edição genética, com diversas aplicações na medicina e na bioengenharia, como a cura de doenças genéticas. Mas a edição de embriões não é uma delas. Dahlman argumenta que existem formas seguras de prevenir que genes defeituosos passem de uma geração para a outra com a fertilização in vitro.— Nós já fazemos o sequenciamento de embriões para selecionar os que devem ou não ser implantados. Nós escolhemos os sadios e descartamos os outros. Esse cara fez o oposto, escolheu os embriões doentes, para consertar com o CRISPR e implantar. Isso não faz sentido — criticou.Dahlman é considerado um dos maiores especialistas do mundo no uso da nanotecnologia para terapias. Em seu laboratório, ele estuda como usar partículas minúsculas que sejam capazes de interagir com tipos específicos de células. O objetivo é descobrir formas para que medicamentos sejam entregues em pontos específicos do organismo, para minimizar efeitos colaterais.— Quando eu tomo uma aspirina para tratar uma dor de cabeça, grande parte da droga vai parar no meu fígado — explicou. — Uma aspirina, tudo bem, mas existem tratamentos como a quimioterapia, com efeitos colaterais graves. Em vez de atacar apenas o tumor, ela faz os pacientes perderem o cabelo, sofrerem problemas gastrointestinais e até cardíacos.Para acelerar a busca por nanopartículas capazes de se fixar em tipos específicos de células, Dahlman desenvolveu um método que usa o DNA para criar um código de barras para cara nanopartícula. Dessa forma, em vez de realizar um teste de cada vez, ele realiza milhares.— Nós já temos nanopartículas que miram o fígado. Já estão no mercado. Mas além do fígado, não temos mais nada — afirmou. — Nós estamos tentando descobrir nanopartículas que sejam capazes de mirar especificamente outros órgãos.
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