Wired Festival: Algoritmos que preveem doenças e mortalidade vão revolucionar medicina


RIO – É possível prever quem vai morrer daqui a cinco anos, e por qual doença? O economista Alexandre Chiavegatto Filho afirma que, usando algoritmos que aprendem sozinhos e muita informação sobre os personagens analisados, sim.As possibilidades revolucionárias que as máquinas inteligentes estão abrindo na área de saúde foi o tema da apresentação de Chiavegatto, diretor do Laboratório de Big Data e Análise Preditiva em Saúde, da USP, na tarde desta sexta, no Wired Festival, que acontece na Casa França-Brasil e no Centro Cultural dos Correios, no Centro do Rio. LINKS WIRED 2012-2 O pesquisador afirmou que a inteligência artificial “não é um hype criado pela mídia”, e listou três razões para os avanços exponenciais que ela teve nos últimos cinco anos: o aumento da quantidade de dados (o chamado big data), que é crucial para melhorar a performance das máquinas; o avanço em capacidade computacional; e o desenvolvimento técnico da área, que levou à criação de algoritmos que tratam de problemas mais complexos.- Inteligência artificial é a capacidade de máquinas tomarem a melhor decisão possível dadas as informações disponíveis, adaptando-se a novas situações. Segundo esta definição, inteligência é, no fundo, um problema de análise de dados – explica.Se antigamente os algoritmos tomavam decisões a partir de regras ensinadas por humanos, com o desenvolvimento do aprendizado de máquina (ou machine learning), os algoritmos passaram a aprender as regras sozinhos.Chiavegatto deu exemplos de estudos preditivos que seu laboratório vem fazendo. Um deles buscou identificar boas políticas públicas na área de saúde no Brasil, algo difícil de se fazer por causa das desigualdades do país — é natural que os municípios mais ricos tenham índices melhores.- Fatores socioeconômicos são muito importantes para a saúde, então nosso objetivo foi tentar predizer qual deveria ser a expectativa de vida dos municípios brasileiros a partir de características socioeconômicas e demográficas, sem usar dados de saúde.O estudo identificou as cidades em que a expectativa de vida ficava acima da média esperada para o desenvolvimento socioeconômico local, e descobriu que investir mais na saúde primária é a principal razão para um município sair-se melhor do que o esperado.O pesquisador também abordou algumas das críticas mais comuns ligadas ao uso de algoritmos — como a de que eles são “caixas-pretas” cujos mecanismos de funcionamento não conhecemos.- Sabemos exatamente como os algoritmos funcionam. O que não conseguimos é explicar de forma simplista como as decisões foram tomadas, porque decisões inteligentes são complexas.Ele também disse ser injustificado o temor de que profissionais da saúde perderiam seus empregos para máquinas capazes de fazer diagnósticos muito mais precisos e recomendar tratamentos mais eficazes.- O algoritmo não vai substituir ninguém na área da saúde. A grande ironia dessa preocupação é que o machine learning vai, ao contrário, aumentar as possibilidades de trabalho dos profissionais da saúde.Segundo Chiavegatto, haverá sim necessidade de treinamento para que os trabalhadores saibam lidar com as máquinas. E, ainda que, de modo mais amplo, algumas profissões estejam mesmo rumando para a extinção — como a de motorista, que será substituído por carros que de autodirigem –, o balanço final dessa revolução será positivo para a Humanidade.- Hoje, boa parte da nossa vida é guiada por algoritmos sem que as pessoas se deem conta. A série que você assiste no Netflix, o Waze que você usa no trânsito, tudo isso é machine learning. Estamos apenas no primeiro passo de uma grande maratona que vai mudar nossa vida em sociedade. As máquinas que aprendem nos permitirão alocar melhor nosso tempo e nosso dinheiro. Por outro lado, o algoritmo não faz aquilo que nos torna humanos: não passeia com meu cachorro, não abraça meus pais, não toma chope com meus amigos. Ele apenas me dá mais tempo livre para fazer as coisas que nos fazem verdadeiramente humanos.O Wired Festival é uma realização de Edições Globo Condé Nast e O Globo, com patrocínio master da Petrobras; patrocínio da Embratel, AMBEV e Johnnie Walker; apoio grupo Pão de Açúcar e do RioCard; participação WeWork; e produção SRCOM.
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