Washington se prepara para marcha supremacista neste domingo

WASHINGTON – A capital americana se prepara neste domingo, dia 12 de agosto, para a marcha de grupos supremacistas, organizada para coincidir com o aniversário de um ano dos confrontos em Charlottesville, em Virginia, motivados por disputas raciais. O evento, batizado de “Unite the Right 2” (“Una a direita também”), estava marcado para começar à tarde, na Praça Lafayette, em frente à Casa Branca.LEIA TAMBÉM:Um ano após Charlottesville, Trump condena ‘todas as formas de racismo’Charlottesville: 11 comentários de Trump sobre o conflito racialA expectativa é que os opositores da marcha superem os nacionalistas brancos. As autoridades prometeram uma ostensiva presença policial para mater os dois lados separados e evitar confrontos nas ruas, como os que se espalharam por Charlottesville no ano passado. Na ocasião, Heather Heyer, de 32 anos, foi morta depois que James Fields, de Ohio, jogou seu carro contra os opositores dos manifestantes supremacistas.O presidente Donald Trump disse então que havia “pessoas muito boas” nos dois lados, gerando uma onda de críticas num país já polarizado politicamente. A frase foi considerada um insulto por equiparar os manifestantes contrários à realização da marcha supremacista aos organizadores do evento, entre os quais neonazistas e outros grupos supremacistas radicais. No sábado, Trump condenou todos os tipos de racismo em um tuíte marcando o aniversário do confronto.No domingo, Kellyanne Conway, conselheiro sênior de Trump, criticou a mídia por, segundo ele, “não cobrir” as reiteradas denúncias do presidente em relação aos nacionalistas brancos.— Ele está conclamando unidade entre todos os americanos e denunciou todas as formas de intolerância e atos de violência e racismo — disse Conway no programa “This Week”, da rede ABC.Já o deputado Elijah Cummings, principal democrata do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, acusou Trump de não fazer o suficiente para reprovar os racistas.— Ele não foi fundo o suficiente — afirmou Cummings no mesmo programa. — Eu acho que é pouco para um presidente americano afirmar simplesmente que é contra o racismo. Ele precisa fazer mais do que isso. Ele deve atuar contra as pessoas que estão fazendo comentários racistas e agindo de forma preconceituosa.Críticos da marcha preparam discursos e leitura de poesiaOs críticos da marcha supremacista prepararam uma tarde com música, discursos e leitura de poesia na Freedom Square, no lado leste da Casa Branca. Vários deles se reuniram próximos à estação metropolitana do Metrô em Vienna, Virginia, onde alguns supremacistas devem embarcar para ir à Washington.Entre os contrários à marcha supremacista, estava Paul Mitchell, um sargento da polícia aposentado, que levava um cartaz pintado à mão, em que se lia um jogo de palavras “No Nazis, no KKK, no racists, no way” (“Não aos nazis, não à KKK, não aos racistas, de jeito nenhum”).A polícia usou veículos e cones de trânsito para isolar o estacionamento da estação, onde cerca de 40 agentes usando coletes à prova de bala faziam patrulhamento. Segundo o chefe de polícia, Peter Newsham, ao contrário do ano passado, quando a polícia permitiu que os dois grupos entrassem em confronto, este ano, a meta será mantê-los separados. Segundo o chefe de polícia, o objetivo é evitar que algum confronto gere feridos e destruição de propriedade.Motoristas de Uber e Lyft poderão recusar corridasAlém dos manifestantes contrários à marcha nacionalista, os supremacistas também devem ter dificuldades para conseguirem alguns tipos de servivços. A Uber e a Lyft autorizaram seus motoristas — especialmente motoristas negros e hispânicos — a se negarem a transportar ou servir os ativistas racistas caso se sintam ameaçados ou pressionados, revelaram vários jornais, inclusive o “Washington Post” e sites de notícias. A Associação de Restaurantes Metropolitanos, por sua vez, distribuiu um informe anunciando que seus associados também podem se recusar a servir os manifestantes. Já o jornal britânico “Guardian” informou que o Twitter suspendeu na sexta-feira inúmeras contas associadas Proud Boys, um grupo chauvinista de extrema-direita.
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