Vídeo: Ex-prefeito de BH nega ter participado de decisão em que foi flagrado votando

BRASÍLIA – Uma semana após votar no congresso nacional do PSB que definiu as candidaturas e alianças do partido para as eleições deste ano, o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda entrou na Justiça na sexta-feira, 10, pedindo a anulação da deliberação do congresso. Na ação, movida perante o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), o ex-prefeito alega ainda que não votou junto com seus pares para anular a convenção do diretório estadual em Minas que o lançou candidato ao governo do Estado.Em seu pedido de 28 páginas, porém, a defesa de Lacerda não menciona que o ex-prefeito levantou o crachá logo após o presidente da sigla, Carlos Siqueira pedir para os delegados que estavam na convenção e que concordavam com a proposta da executiva nacional (anular a votação da comitiva estadual que o lançou candidato ao governo de Minas) levantassem seus crachás. A imagem de Lacerda no momento da votação, inclusive, foi registrada por vídeo durante a Convenção Nacional, realizada no domingo (5), em Brasília. Márcio Lacerda é filmado votando pela anulação da convenção estadual do PSB“Jamais o primeiro requerente (Marcio Lacerda) assentiu, como textualmente afirma a ata, com a avocação ao Congresso Nacional do PSB das decisões sobre coligações majoritárias da eleição: na realidade, Marcio Lacerda demonstrou sua preocupação com a situação dos candidatos proporcionais, e nada mais”, assinala a cautelar protocolada na Justiça Eleitoral em Minas no último dia 10.LEIA: Dops fichou pai de Bolsonaro e monitorou suas atividades políticasDurante o congresso nacional, Lacerda foi claro em seu discurso de que gostaria de manter sua candidatura e ponderou que havia um risco de o partido não lançar candidatos a deputados estaduais e federais por Minas caso não se chegasse a um consenso sobre a deliberação do diretório estadual, uma vez que o dia 5 já era o prazo final para as convenções partidárias.LEIA: PF encontra indício de que marqueteiro de Aécio recebeu dinheiro da Odebrecht sem prestar serviço“Eu acho que a situação da chapa de deputados é muito importante e nós temos que achar um caminho, presidente Siqueira, que preserve isso. Se a solução pra se encontrar um caminho jurídico seja, eventualmente, até pensar em não me ter como candidato pra resolver o problema de deputados, eu aceito discutir isso. Não estou dizendo que estou concordando. Porque é importante que tenhamos uma chapa importante de deputados federais e deputados estaduais. Mas realmente seria lamentável que eu tivesse que retirar”, afirmou o ex-prefeito.LEIA: Ciro cita Lula e promete prioridade para a educaçãoA reunião da executiva estadual foi realizada um dia antes, no sábado (4), e foi marcada por brigas entre o grupo de Lacerda e o grupo que seguiu a orientação da executiva nacional da sigla de não lançar candidatura própria em Minas devido a uma aliança com o PT nacional. Em troca, o PSB manteve a candidatura à reeleição de Paulo Câmara ao governo de Pernambuco e o PT abriu mão da candidatura de Marília Arraes, que ameaçava a continuidade do atual governador do estado. Em nível nacional, o PSB optou por não lançar nenhum candidato à Presidência depois que a principal aposta da sigla, o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, desistir de sua candidatura.INFLUÊNCIA DIRETA DA ELEIÇÃO PRESIDENCIALAlinhado ao candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, Lacerda tentou manter sua candidatura, mas na véspera da convenção estadual o diretório nacional determinou a troca dos representantes da comissão do PSB de Minas, que eram alinhados a Lacerda. Diante disso, o ex-prefeito judicializou a questão simultaneamente no TRE-MG e no TSE. LEIA: Candidatos ao governo do Rio comentam projetos para SegurançaO Tribunal Regional acatou liminarmente o pedido, mas o ministro do TSE Napoleão Nunes Maia negou a solicitação e apontou que a iniciativa “só se prestaria a tumultuar o processo eleitoral, gerando uma dissidência partidária desnecessária ao jogo político-democrático, o que a jurisprudência desta Corte busca evitar”. As decisões conflitantes levaram ao embate entre os próprios integrantes do diretório estadual da sigla no dia 4.Diante do impasse e do prazo limite para definir as orientações do partido para as eleições, Carlos Siqueira tentou resolver a situação na Convenção Nacional e propôs que a votação do diretório estadual fosse anulada e que a decisão sobre as candidaturas em Minas fosse feita pela Convenção Nacional.“Então propõe-se como votação: declara a nulidade da Convenção acontecida ontem em Belo Horizonte; avoca para si (Convenção Nacional) a decisão sobre coligação proporcional e majoritária; […] e nós temos o compromisso, eu e as principais lideranças da direção partidária, de sentarmos com o companheiro Marcio e com quem mais ele desejar e encontrarmos outra saída que não seja essa. […] Mas, se não encontrarmos, a decisão já está adotada por este Congresso Nacional”, afirmou Siqueira.Logo em seguida, o presidente da sigla convocou a votação pedindo para que os correligionários que estavam no convenção e fossem favoráveis à proposta levantassem seus crachás. O entendimento foi vitorioso, mas o diálogo posterior com Lacerda, porém, não avançou, com o ex-prefeito insistindo na candidatura ao governo do estado enquanto Siqueira sugeriu para ele disputar o senado pela chapa do PT em Minas.Diante disso, a defesa do ex-prefeito recorreu novamente à Justiça Eleitoral, alegando que o Congresso Nacional do PSB não poderia ter discutido a situação da comissão estadual e que o diretório nacional da sigla não tem a prerrogativa de definir as candidaturas nos Estados, além de negar que tenha votado pela proposta que acabou vetando sua candidatura. Agora, caberá à Justiça, novamente, decidir sobre o imbróglio.De acordo com a assessoria do ex-prefeito, a votação foi um acordo para se chegar a um bom termo sobre a candidatura de Marcio Lacerda, mas o impasse não foi resolvido. Em nota divulgada ontem, o ex-prefeito afirmou que o acordo do PSB não atendia aos interesses dos mineiros.“Quem construiu este acordo para impor que eu me candidate a senador na chapa do atual governador Fernando Pimentel, a quem faço oposição? A quem interessa este golpe contra os mineiros? A quais interesses este acordo serve? A quem ele beneficia ? Uma certeza eu tenho: ao povo mineiro não é “, afirmou a nota.
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