Vice-governador preso evitou briga entre Joesley e Cunha durante negociação de propina


SÃO PAULO — Uma das negociações de propina citadas na operação Capitu da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira envolveu uma discussão acalorada entre Joesley Batista e o ex-deputado federal Eduardo Cunha que só não virou uma briga porque o ex-ministro da Agricultura e vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade interveio. Andrade e Joesley foram presos nesta manhã. Eduardo Cunha está preso desde 2016.

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Capitu é um desdobramento da Lava Jato que prendeu 12 pessoas acusadas de integrar um esquema de corrupção entre 2014 e 2015 envolvendo a JBS, o Ministério da Agricultura e a Câmara dos Deputados. Entre as prisão executadas nesta sexta além de Joesley e Andrade, há outro ex-ministro da Agricultura, Neri Geller (PP-MT), hoje deputado federal, o ex-secretário de Defesa Agropecuária, Rodrigo Figueiredo e o deputado estadual João Magalhães (MDB-MG).

Na delação de Joesley, em um dos anexos, é narrado o momento em que Joesley se dirigia a Cunha “com aspereza” ao cobrar o pedido de federalização do sistema de inspeção de frigoríficos. O ex-deputado então disse, segundo Joesley, que as demandas eram “inviáveis” e que a dificuldade impedia a obtenção de propinas.

Joesley narra que reagiu igualmente exaltado, levantando-se e intimando o deputado. O vice-governador preso teria se colocado entre os dois para evitar uma briga.

Segundo o anexo da delação, Joesley e Cunha entenderam-se um com o outro “na sequência imediata” e Joesley chegou a convidar Cunha para ir a sede da J&F “a fim de conversarem e comporem-se”. Segundo Joesley, entre as exigências pedidas aos deputados e ao ministério em troca de propina, esta não foi atendida. Os outros dois pedidos foram: a regulamentação da exportação de despojos e a proibição do uso da ivermectina de longa duração (droga antiparasita usada em carnes).

O operador Lucio Funaro, também em delação, narra que Joesley e o executivo da JBS Ricardo Saud “solicitaram diretamente” proibição e liberação de exportação de carne para determinados países. Segundo Funaro, Andrade teria cobrado 25 milhões na doação de campanha pela tarefa e essa negociação ocorreu em 2014.

*Estagiário, sob supervisão de Tiago Dantas.


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