UGT promove feirão de emprego para aumentar sindicalizados

SÃO PAULO — Na tentativa de ampliar as receitas sindicais, que caíram
fortemente depois do fim do imposto sindical, determinado pela nova legislação
trabalhista que entrou em vigor em novembro, a União Geral dos Trabalhadores
(UGT) passará a fazer o processo seletivo de contratação de empregados para as
empresas do comércio e, em troca, tentará sindicalizar todos os novos
funcionários selecionados. De acordo com Ricardo Patah, presidente da UGT, a novidade será
implementada primeiramente no sindicato dos comerciários, categoria com a qual a
UGT já fez parcerias com as empresas, num processo que deve selecionar 2 mil
novos empregados a partir da próxima segunda-feira. — Essa é uma consequência da reforma trabalhista, que extinguiu o imposto
sindical. Convencendo o trabalhador a se sindicalizar e conseguindo fazer isso
em massa, melhora a nossa situação — afirmou. A sindicalização dos comerciários
de São Paulo custa R$ 30 por mês.Segundo Patah, o
empregado sindicalizado tem acesso a benefícios como serviços médicos e de
dentista, descontos em universidades e acesso a lazer. A ideia é estender o
modelo para os cerca de 1.330 sindicatos da central.— Mas o mais importante é fortalecer o sindicato para que a gente faça boas
negociações para a categoria. Depois da reforma trabalhista, o negociado
prevalece sobre o legislado, portanto um bom acordo é vital para os
trabalhadores — disse.Segundo o advogado Otávio Pinto e Silva, sócio trabalhista do escritório
Siqueira Castro e professor na Universidade de São Paulo, não há nenhuma
irregularidade em o sindicato colaborar com as empresas na busca de mão de obra
qualificada. Ele diz que o esforço também é válido no sentido de garantir maior
filiação sindical, diante das mudanças trazidas pela Reforma Trabalhista, entre
elas o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. — Se as empresas têm vagas, é natural que o sindicato faça essa intermediação
e também trabalhe pela qualificação profissional de seus filiados. O que o
sindicato não pode fazer é forçar o trabalhador a se sindicalizar para que
consiga o emprego. Isso fere uma cláusula da Constituição que trata da liberdade
da filiação sindical. É o trabalhador que tem que tomar a decisão se quer ou não
se sindicalizar. Trata-se de um ato de escolha — disse Silva.
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