Ucrânia veta entrada de homens russos em idade de combate após confronto naval


KIEV — Na esteira da escalada de tensão entre Ucrânia e Rússia, depois de as forças russas atacarem e reterem três navios ucranianos no Mar de Azov, Kiev baniu nesta sexta-feira a entrada no território de homens russos em idade de combate. A medida integra o raio de limitações impostas pela lei marcial, decretada no país pelo presidente Petro Poroshenko sob alegações de temor de invasão russa. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ressaltou que o bloco europeu “com certeza” vai renovar as sanções a Moscou após o conflito.A Ucrânia anunciou que barrou a entrada de homens russos de 16 a 60 anos ao território. Um dia antes, em reação aplaudida por Kiev, o presidente Donald Trump cancelou a reunião marcada com o presidente russo, Vladimir Putin, na Argentina, em sinal da reprovação de Washington pelo comportamento de Moscou no confronto naval. Putin alega que os militares russos “só cumpriram seu dever” ao verem as águas territoriais invadidas pelos ucranianos. Segundo a TV Rain, 21 militares detidos foram deslocados da Crimeia para uma prisão de Moscou.Ao confirmar a barreira aos russos, Poroshenko citou a anexação russa da Península da Crimeia em 2014, não reconhecida pela comunidade europeia, e o apoio de Moscou a separatistas no Leste da Ucrânia. Para o presidente ucraniano, é importante deter uma invasão de larga escala das forças de Putin, a quem já havia acusado de tentar expandir um “império”.”Estas são medidas para bloquear a Federação Russa de formar efetivos de exércitos particulares, que na verdade representam as Forças Armadas da Federação Russa”, argumentou Poroshenko. “Não (vamos) autorizar que eles promovam operações com as que tentaram conduzir em 2014”.O serviço de fronteira da Ucrânia informou que haverá exceções para casos humanitários, como russos que queiram comparecer ao funeral de um parente. Autoridades estudam impor restrições a russos que já residem em solo ucraniano.Kiev e Moscou culpam um ao outro pelo incidente no Mar de Azov, no último domingo. Na ocasião, a Rússia alegou que a frota da Marinha da Ucrânia invadiu suas águas e deteve a tripulação ao bloquear a passagem pelo Estreito de Kerch – a ligação marítima aos portos ucranianos vitais para o escoamento da produção do país. O caso acendeu críticas da Otan e da União Europeia à ofensiva da Rússia. A aliança militar, no entanto, negou se envolver no conflito com navios no Mar de Azov, como solicitara Poroshenko. Putin acusa o líder ucraniano de tramar a crise para aumentar sua popularidade antes das eleições de março de 2019.Os Estados Unidos e a UE impuseram sanções à Rússia desde 2014 pela anexação da Crimeia. Na ocasião, um presidente pró-Rússia havia sido destituído na Ucrânia, e Moscou avançou sobre o território sob alegação de autodeterminação da população local. A Polônia defende a aprovação de novas restrições, mas França e Alemanha apostam na moderação pelo diálogo.Em comunicado no Facebook, Poroshenko anunciou que a Ucrânia recebeu 500 milhões de euros da Comissão Europeia. UE, EUA e o Fundo Monetário Internacional (FMI) passaram a apoiar a economia de Kiev após a anexação da Crimeia. O presidente ucraniano ressaltou que o aporte é “sinal muito importante de inabalável assistência contra os recentes desafios do agressor russo”.Nesta quarta-feira, a Ucrânia recebeu o apoio da Hungria no conflito, embora o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, tenha criticado posições “anti-Hungria” por parte de Kiev.”Há um governo pró-Ucrânia na Hungria, enquanto há um governo anti-Hungria na Ucrânia. Apesar disso, nós não mudamos a nossa posição e ficaremos do lado da Ucrânia neste conflito”, destacou o premier.
Leia a notícia completa em O Globo Ucrânia veta entrada de homens russos em idade de combate após confronto naval

O que você pensa sobre isso?