Trump pode usar Quinta Emenda contra inquérito sobre Rússia, diz advogado

US-PRESIDENT-TRUMP'S-NEWLY-APPOINTED-LAWYER-RUDY-GIULIANI-SPEAKS-GRD3NBQVM.1.jpgWASHINGTON — O presidente Donald Trump poderia invocar a Quinta Emenda, que protege o direito de não se auto-incriminar, a fim de não testemunhar nas investigações sobre o conluiu entre a campanha presidencial de 2016 e o governo russo, disse seu novo advogado, Rudy Giuliani. Ao programa “This Week”, da rede ABC, o ex-prefeito de Nova York reconheceu que Trump pode muito bem acabar tendo de testemunhar. Quando perguntado se ele está confiante de que Trump não vai invocar a Quinta Emenda, Giuliani disse: “Como posso estar confiante nisso?”

Embora Trump tenha se mostrado disposto a ser interrogado pelo promotor independente Robert Mueller, Giuliani também afirmou que tentará dissuadí-lo.

— Se ele fizer isso, vão processá-lo por perjúrio, como fizeram com Martha Stewart — disse Giuliani.

Giuliani, que foi contratado por Trump no mês passado, disse que ainda é preciso se inteirar compleamente do caso Mueller e se Trump estava ciente do pagamento de US$ 130 mil para a atriz pornográfica Stormy Daniels. Giuliani diz que não sabe quando Trump teve conhecimento desse pagamento, feito por outro advogado de Trump, Michael Cohen.

Giuliani indicou que Trump não cumpriria necessariamente uma convocação de Mueller, mas não descartou a possibilidade de o presidente ter um encontro com o promotor especial.

— Ele é o presidente dos Estados Unidos. Podemos reivindicar o mesmo privilégio que outros presidentes — afirmou Giuliani.

Em um evento de campanha em 2016, Trump criticou colaboradores da oponente democrata, Hillary Clinton, por abraçar a quinta emenda constitucional durante uma investigação no Congresso sobre o uso de um servidor privado de e-mail por Clinton. “As pessoas abraçam a Quinta Emenda. Se você é inocente, por que você faz isso?”, disse Trump na época.

Uma disputa legal sobre uma intimação para Trump quase certamente chegaria à Suprema Corte, que nunca decidiu com firmeza se os presidentes podem ser forçados a testemunhar sob juramento.

Durante o caso Watergate, o tribunal decidiu que um presidente poderia ser obrigado a cumprir uma citação de gravações e documentos. E o presidente Bill Clinton voluntariamente encontrou-se com o promotor especial Ken Starr depois de receber uma intimação para discutir sua relação sexual com a então funcionária da Casa Branca, Monica Lewinski.

A nova entrevista com Giuliani vem depois de dias de depoimentos contraditórios sobre as investigações sobre o presidente. Quando Trump foi perguntado no mês passado no se sabia sobre o pagamento para Daniels, ele disse que não. Mas Giuliani revelou na semana passada que Trump havia reembolsado Cohen pelo pagamento e outros assuntos não especificados.

TEMPESTADE

Stormy Daniels fez uma aparição surpresa no programa de humor “Saturday Night Live”, no sábado, para dar uma mensagem ao presidente Donald Trump:

— Uma tempestade está chegando, baby — disse ela.

A atriz pornô, que diz ter tido um encontro sexual com Trump em 2006 e que recebeu US$ 130 mil no mês anterior à sua eleição para ficar em silêncio, fez o alerta para um Donald Trump interpretado pelo ator Alec Baldwin.

Quando o falso Trump pergunta a Daniels o que ela precisa para “tudo isso ir acabar”, ela responde: “A renúncia”.

Daniels, cujo nome real é Stephanie Clifford, quer ser libertada do acordo de confidencialidade. Ela também entrou com processos de difamação contra Trump e seu advogado pessoal, Michael Cohen. Trump nega que ele e Daniels tiveram um caso e disse que não sabia sobre nenhum acordo.


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