Trump ironiza Macron e ataca Acordo de Paris após protestos de 'coletes amarelos'


PARIS — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou o presidente da França, Emmanuel Macron, pelos violentos protestos ocorridos na França contra o aumento de impostos sobre combustível. Conhecidos como “coletes amarelos”, os manifestantes ocuparam a avenida Champs-Élysées por três fins de semana e forçaram o governo francês a suspender as taxas. O chefe da Casa Branca aproveitou a instabilidade social na capital francesa para criticar o acordo global sobre o meio ambiente elaborado em Paris em 2015, do qual Washington anunciou sua retirada.”Estou feliz que meu amigo Emmanuel Macron e os manifestantes em Paris chegaram à conclusão que eu cheguei dois anos atrás”, escreveu Trump em publicação no Twitter. “O Acordo de Paris é fatalmente defeituoso porque aumenta o custo da energia para os países responsáveis enquanto encobre alguns dos piores poluidores”.Na terça-feira, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, anunciou a suspensão de aumentos em imposto carbono — taxa que entrou em vigor no ano passado sobre o diesel — por ao menos seis meses. Foi a primeira vez em que o governo Macron voltou atrás em uma política de destaque em um ano e meio de poder. Na França, o diesel é mais usado que a gasolina, porém mais poluente. A ideia da gestão era equiparar os preços dos dois até 2020 e reduzir, assim, o uso do combustível, como parte do engajamento do país na pauta ambiental.Trump anunciou a saída dos EUA do Acordo de Paris em junho de 2017. Desde então, reitera ataques às propostas, que, segundo ele, prejudicariam a produção de papel, ferro, aço e carvão e afetaria a economia americana. O chefe da Casa Branca considera falsas as conclusões sobre o aquecimento global e não raro as ironiza com menções equivocadas a ondas de calor no tempo do país. Até Trump assumir o governo, os EUA exerciam papel de liderança no acordo mediante negociações diretas do ex-presidente Barack Obama com a China, as duas nações mais poderosas e poluidoras do planeta.As declarações de Trump representam ainda nova rusga com Macron. Os dois começaram o ano em clima de “bromance”, união das palavras inglesas brother e romance. Apertos de mão afetuosos e largos sorrisos durante viagem do francês a Washington, em maio, indicavam à imprensa o estreitamento das relações com Paris.— Gosto muito dele — disse Trump, após trocar beijos no rosto com o francês e provocar risos da plateia na Casa Branca.Em novembro, os líderes voltaram a se encontrar em Paris, em tom menos caloroso. Trump havia entrado em rota de colisão com Macron diante dos apelos do francês pela construção de um Exército europeu. O chefe do Eliseu havia argumentado que a Europa precisava de uma tropa militar própria, o que, para o líder da Casa Branca, colocava EUA junto à China e à Rússia como ameaças à segurança do continente.Sete meses depois do “bromance”, Trump zombava de Macron no Twitter pela baixa popularidade.”O problema é que Emmanuel sofre um nível muito baixo de aprovação na França, 26%, e uma taxa de desemprego de quase 10%. Ele estava apenas tentando mudar o assunto. A propósito, não há país mais nacionalista que a França, de população muito orgulhosa!”, ressaltou Trump em novembro.A popularidade do presidente francês caiu a 23% com o protesto dos “coletes amarelos”, o que iguala o recorde do antecessor socialista François Hollande. A suspensão das taxas não desmobilizou os manifestantes, que consideraram o recuo insuficiente e ampliaram as pautas dos protestos para a estrutura tributária geral da França, considerada injusta por favorecer os mais ricos.
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