Trump diz que negócio imobiliário com russos durante campanha eleitoral foi 'muito legal'


WASHINGTON — O presidente americano, Donald Trump, defendeu nesta sexta-feira a decisão de manter as negociações para um empreendimento na Rússia enquanto concorria à indicação republicana para as eleições à Presidência, em 2016. Pelo Twitter, o chefe da Casa Branca destacou que, na época, “continuou a tocar os negócios” de maneira “muito legal”. A manifestação de Trump chega um dia depois de seu ex-advogado Michael Cohen, então encarregado das conversas com Moscou, admitir que mentiu ao Congresso sobre a transação.Cohen já havia se declarado culpado em agosto por violar leis de financiamento eleitoral. Nesta quinta-feira, ele apareceu de surpresa em um tribunal de Manhattan e assumiu a culpa por passar informações falsas à Comissão de Inteligência do Senado sobre o acordo de construção de uma Trump Tower na capital russa. O advogado havia passado a impressão de que o planejamento acabara antes do começo da campanha eleitoral, em janeiro de 2016. Na verdade, durou até junho daquele ano. O empreendimento é um dos focos da apuração do procurador especial Robert Mueller sobre possível conluio entre republicanos e russos na eleição. Trump MoscouDurante viagem à Argentina para a cúpula do G-20, Trump recorreu ao Twitter para ironizar as possíveis implicações da revelação de Cohen. O presidente minimizou a importância do empreendimento em Moscou, cujo negócio não se concretizou, e voltou a se colocar como vítima de uma “caça às bruxas”.”Ok, já entendi! Eu sou um ótimo empreendedor, feliz vivendo a vida, quando vejo meu país indo na direção errada (para dizer o mínimo). Contra todas as adversidades, decide concorrer para presidente e continuo a tocar os meus negócios (de maneira) muito legal, falo sobre isso na campanha… Pensei de leve em fazer um prédio em algum lugar da Rússia. Coloquei zero dinheiro, zero garantias e não fiz o projeto. Caça às bruxas!”, escreveu o republicano.Segundo a CNN, um acordo preliminar do empreendimento foi assinado pelo republicano em 2015. A organização não teria qualquer responsabilidade pelo financiamento da construção, apenas controle de gestão, aponta a rede. Ao Congresso, Cohen negou que a negociação tivesse ligação com a campanha republicana.Ainda de acordo com a CNN, o documento não cita com que meios a companhia russa I.C. Expert Investment Company pagaria o projeto. Ao “New York Times”, Felix Sater, russo ex-associado de Trump que serviu de intermediário no negócio, contou que alinhou financiamento do VTB Bank – o Kremlin é dono de parte da instituição, que está sob sanções econômicas americanas, diz a rede. O banco informou que não participou do projeto e que as alegações são “completamente falsas”.A declaração de Cohen, agora, contradiz Trump, que durante a campanha destacou diversas vezes “não ter nada a ver” com a Rússia ao ser questionado sobre seus elogios ao presidente russo, Vladimir Putin. Se o advogado apresentar provas que comprovem seu depoimento poderá criar “um pesadelo político” para o presidente, destaca a rede britânica BBC, assim como “um pesadelo legal” se Trump tiver negado o caso no recente depoimento por escrito a Mueller.Trump ainda é dono da companhia que leva seu nome, mas passou o controle de operação aos filhos Donald Trump Jr. e Eric Trump ao tomar posse na Casa Branca, em janeiro de 2017. Um ano depois, o chefe da Casa Branca foi criticado por duvidar das descobertas da inteligência americana sobre a interferência russa na campanha eleitoral. Depois da segunda admissão de culpa de Cohen, o republicano cancelou reunião com Putin no G-20, sob o argumento de reprovação da ofensiva militar do país no Mar de Azov contra navios ucranianos.O Ministério das Relações Exteriores da Rússia atribuiu o cancelamento à “situação política interna dos EUA”. Segundo um porta-voz do Kremlin, Trump e Putin terão um encontro mais informal na Argentina.
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