Terrorista espanhol preso em São Paulo trabalhava como motorista de aplicativo


SÃO PAULO – Condenado a 193 anos de prisão na Espanha por cinco homicídios ocorridos em 1977, o terrorista de extrema-direita espanhol Carlos Garcia Juliá, de 63 anos, trabalhava como motorista de aplicativo de transporte em São Paulo até que foi preso, na última terça-feira. Ele vivia com um passaporte falso da Venezuela na Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista, e estava casado com uma brasileira, segundo policiais federais. Juliá ficará preso no Brasil por tempo indeterminado, enquanto aguarda um pedido formal de extradição que deve ser feito pelo governo da Espanha nas próximas semanas. Antes de ser enviado para o país europeu, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) precisa autorizar a extradição. No Brasil, o estrangeiro deve responder por uso de documento falso. Policia 07-12O crime que levou Juliá à condenação ocorreu em 24 de janeiro de 1977 na Calle de Atocha, onde fica a maior estação de trem da Espanha. O grupo terrorista, formado por três homens, invadiu um escritório de advocacia, que ficava no número 55 da rua, e abriu fogo contra as pessoas que lá estavam. Quatro advogados trabalhistas e um estagiário ligado ao Partido Comunista da Espanha morreram.O criminoso foi preso dias após o crime e foi condenado pelos assassinatos. Juliá ficou preso 14 anos na Espanha e, em 1991, conseguiu uma autorização para trabalhar e fugiu para a América do Sul. Policiais espanhóis que estão atrás de Juliá desde os anos 1990 dizem que ele passou por Chile, Venezuela e Argentina. Em 1994, ele chegou a ser preso por tráfico de drogas na Bolívia, também usando uma identidade falsa. Depois de conseguir uma revogação da prisão preventiva, fugiu mais uma vez. Segundo a investigação, ele pode ter entrado em Brasil por Pacaraima, na divisa entre Roraima e Venezuela. Ao ser abordado pelos policiais na última terça-feira em São Paulo, Juliá apresentou um documento que a PF descobriu ser falso em nome do venezuelano Genaro Antonio Materan Flores. Segundo a PF, o terrorista usou esse mesmo documento para pedir registro nacional de estrangeiro no Brasil, em 2009, e para tirar a CNH para trabalhar no aplicativo de transporte. Juliá não reagiu à prisão, mas negou que fosse a pessoa que estava sendo procurada. Ele só viria a admitir a identidade horas depois, na sede da Polícia Federal.
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