Terras produtivas transformadas em deserto ocupam área equivalente aos estados de SE e RN

A seca severa e prolongada no Nordeste está aumentando ainda mais um problema ambiental grave. Terras produtivas transformadas em deserto já ocupam uma área equivalente a dois estados
A seca severa e prolongada no Nordeste está aumentando ainda mais um problema ambiental grave. Terras produtivas transformadas em deserto já ocupam uma área equivalente aos estados de Sergipe e do Rio Grande do Norte juntos.
O barulho da motosserra é um duro golpe contra a natureza. A caatinga é derrubada para virar lenha, carvão. Mas o desmatamento não é a única agressão: a terra também sofre com a criação desordenada de animais e as técnicas antigas e predatórias de cultivo.
Tanta degradação transforma terras férteis em áreas improdutivas: é a desertificação.O solo sem vida foi o que restou para o seu Manoel, em Cabrobó, no sertão de Pernambuco.
“Trinta anos atrás, quando a gente olhava assim era uma maravilha, uma beleza, esse terreno todo, todo cultivado, todo plantado e hoje a gente está vendo aí todo abandonado, deserto”, disse o agricultor Manoel Joaquim do Nascimento.
Um estudo feito com imagens de satélites por pesquisadores mostra que a desertificação avançou 140% nos últimos dez anos no semiárido brasileiro.
Hoje, mais de 72 mil quilômetros quadrados – área equivalente aos estados de Sergipe e Rio Grande do Norte – estão desertificados.
“A combinação por um lado do fator climático, que representa essa grande seca, juntamente com o uso, digamos, a super exploração dos recursos naturais vai acabar exacerbando o problema e isso dessa forma justifica esses números”, explicou o hidrólogo Javier Tomasella, coordenador da pesquisa.
Os impactos ao meio ambiente são mais graves em quatro núcleos de desertificação: Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte e Paraíba; Irauçuba, no Ceará; e Cabrobó, em Pernambuco.
Quem vê a terra praticamente sem vegetação, só com mato seco, dificilmente imagina que, há cerca de dez anos, Cabrobó foi o maior produtor de cebola de Pernambuco. Hoje, a situação está bem diferente. Áreas como esta estão condenadas. Lá não adianta mais plantar.
Áreas extensas estão cobertas de pedras e poucas plantas mais resistentes como os cactos.
“Áreas numa situação dessas que a gente vê que ali está quase, vamos dizer assim, proibido de ter vida. Não tem como ter vida numa área mais dessa”, afirmou o técnico do IPA Marizan Rodrigues.
Um agricultor teve que derrubar quase 3 mil bananeiras porque as bananas não cresceram.
“Se trouxer qualquer agrônomo aqui, ele vai constatar que 70% do terreno estão desertificados”, lamentou o agricultor Barnar Russo.
Nas casas abandonadas viviam 25 famílias que trabalhavam numa fazenda. Sem poder plantar, tiveram que ir embora.
A desertificação cobra um preço alto da natureza, mas não é uma sentença irreversível. O homem, que ao mesmo tempo é vítima e responsável pelo processo de degradação da terra, também é capaz de recuperar o solo improdutivo e fazer o verde brotar novamente.
A terra está renascendo no assentamento Florestan Fernandes, em Canindé de São Francisco, no alto sertão de Sergipe. Os agricultores aprenderam a manejar corretamente o solo e a usar tecnologias simples para recuperar a terra no projeto, que tem apoio da ONU e de organizações não governamentais.
A cisterna acumula a água da chuva para o plantio na horta.
“Se você fizer a manutenção certinha do solo e com cuidado, você tiver cuidado para não deixar os nutrientes se arrastar, você vai produzir nele com certeza”, afirmou o agricultor Pedro Ventura de França.
Os moradores construíram dezenas de pequenas barragens de pedras que ajudam a conter as erosões e evitam que a parte fértil do solo seja levada pelas enxurradas.
Também recuperaram a nascente que estava soterrada e que agora garante água para os animais e para as plantas. As casas ganharam fogões ecológicos, que consomem pouquíssima lenha e poupam a caatinga.
“Agora a gente está mais consciente que não pode estar degradando a mata”, disse a agricultora Romailde Sousa dos Santos.
“E se a gente não começar agora, a gente vai ficar sem terra para plantar, sem água para beber”, afirmou a estudante Deysiane Souza.
“Nós devemos cuidar da terra para que ela não venha a morrer porque é vida e nós temos que cuidar”, disse o agricultor Edilson da Anunciação.
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