Temer deflagra negociações e avalia candidatura própria do PMDB

BRASÍLIA – O presidente Michel Temer decidiu destravar as negociações com os demais partidos do centro e, ao mesmo tempo, “sentir a temperatura” da máquina do PMDB sobre os cenários de sua candidatura à Presidência ou do ex-ministro Henrique Meirelles. As declarações de que poderá não ser candidato fazem parte dos “testes” que Temer e a cúpula do PMDB começam a fazer sobre o cenário eleitoral, com a certeza de que o movimento final se dará em julho, na fase final das negociações.

Segundo interlocutores diretos, Temer sinalizou a não-candidatura como um movimento para as conversas começarem e deu resultado: o encontro entre ele e o presidente nacional do PSDB e candidato tucano a presidente, Geraldo Alckmin (SP), pode ocorrer ainda nesta semana.

Na avaliação de interlocutores de Temer, “alguém tinha que se mover”, e o presidente está fazendo isso com a séria de declarações. Mas Temer corre o risco de ficar isolado dentro do partido, devido às realidades regionais. Por isso, o presidente e Meirelles se reúnem nesta segunda-feira com dirigentes regionais do PMDB, de diferentes estados, como do Amapá, Amazonas e Rio de Janeiro.

Temer não quer ficar distante do que pensam os diretórios regionais. O presidente sabe que grande parte resiste a uma candidatura sua e mesmo a de Henrique Meirelles. Até mesmo na cúpula do PMDB havia um incômodo com a firmeza de Temer em propor sua candidatura, o que estaria atrapalhando as formações de palanques nos estados. A resistência ocorre porque Temer tem altos índices de impopularidade, e os candidatos não dividir palanque com quem concentra tamanha rejeição.

O presidente,conforme os interlocutores, quer ter o “sentimento” do que os dirigentes estaduais pensam sobre uma candidatura Meirelles. Parte do partido quer que não haja candidato _ o que tem sido verbalizado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) _, mas a cúpula liderada pelo presidente nacional da sigla, Romero Jucá (RR), quer ter o nome de Meirelles como alternativa.

Temer tem aproveitado suas idas a São Paulo para vários contatos: já conversou com João Doria, candidato do PSDB ao governo paulista; com o governador de São Paulo e candidato, Márcio França (PSB), e ainda com o ex-presidente Fernando Henrique Cardozo.

A única certeza que os aliados têm é que a palavra final será de Temer. Para um ministro, será Temer quem definirá o candidato e se haverá candidato.

O jantar desta segunda-feira, no Palácio da Alvorada, é o segundo de uma série para aproximar os diretórios regionais do partido a Meirelles.


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