Taxa recorde de suicídios nos EUA levanta debate sobre orçamento de saúde


WASHINGTON – Um estudo do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos Estados Unidos (NCHS, na sigla em inglês) revelou que a taxa de suicídio entre americanos subiu vertiginosamente nos últimos 20 anos. Em um período histórico no qual mortes causadas por doenças caíram, devido aos avanços da medicina, o índice subiu de 10,5 casos para cada 100 mil habitantes em 1999 para 14 casos a cada 100 mil em 2017. Especialistas clamam para que a questão ganhe atenção dos gestores de saúde. No Brasil, a média é de 5,8 para cada 100 mil habitantes.Os americanos têm duas vezes mais chances de darem um fim à própria vida do que de morrerem pelas mãos de outra pessoa. No entanto, enquanto os homicídios provocam vigílias, protestos, manchetes e discursos presidenciais – e seu combate é destino de parte dos orçamentos policiais – os suicídios não.Assunto envolto em tabu, muitas vezes os suicídios não são reconhecidos como tal, a não ser por celebridades – Robin Williams, Kate Spade e Anthony Bourdain, para citar alguns. Esses casos são os poucos momentos em que se propõe um debate em torno da necessidade de apoio psicológico e de tratamento da questão como um assunto de saúde pública; e que, portanto, como os homicídios, deveria ter um espaço de orçamento destacado para seu combate.O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, o maior financiador público de pesquisas biomédicas do mundo, investiu 68 milhões de dólares em pesquisas sobre suicídio no ano passado. O mesmo instituto pagou quase cinco vezes esse valor a estudos do sono e investiu 10 vezes mais em estudos sobre câncer de mama, que matou menos pessoas em 2016.O psicólogo Bart Andrews, psicólogo americano que trabalha em uma rede com atendimentos em comunidade em casa, observa que o treinamento de prevenção ao suicídio só é exigido na formação médica de cuidados primários em 10 estados – e que a maioria dos médicos não está familiarizada com o assunto.- Muitas pessoas suicidas nunca chegam ao sistema de saúde comportamental ou, quando o fazem, não fazemos um bom trabalho. – disse o médico ao Mail Online.Jovens, mulheres e população rural são os mais vulneráveisSegundo o NCHS, em 2016, o suicídio tornou-se a segunda principal causa de morte entre jovens americanos de 10 a 34 anos. A meta do governo americano é reduzir as taxas de suicídio a 10,2 para cada 100 mil habitantes até 2020. O objetivo da pesquisa era entender quais grupos eram mais vulneráveis.Em 2017, nas zonas rurais americanas o índice registrado foi ainda mais alto: 20 casos a cada 100 mil habitantes. O número de casos também cresceu muito mais entre mulheres do que entre homens. Entre elas, a taxa aumentou 53%, enquanto a média entre homens subiu 26%. Apesar de o suicídio ser uma das principais causas de morte entre jovens, a faixa etária mais vulnerável entre as mulheres estava entre 45 e 64 anos.Mortes naturais caem, suicídio aumentaEnquanto, nos Estados Unidos, os índices de mortes causadas por doenças como derrame cerebral ou cardiopatia caíram vertiginosamente nas últimas duas décadas (39% de queda nos casos de derrame e 38% a menos infartos), os índices de suicídio levantam a questão sobre a qualidade de vida que o americano leva. Álcool e abuso de substâncias são fatores de risco, e ambos estão aumentando.O isolamento social também aumenta o risco. E quase metade da população americana diz se sentir sozinha “às vezes” ou “sempre”. Entre adolescentes, o uso crescente de smartphones tem sido associado a pensamentos suicidas. Até mesmo as mudanças climáticas são apontadas como agente de influência.- Estamos tentando reduzir as taxas de mortes por suicídio em uma cultura cada vez mais fascinada pela violência, que tem um monte de opiáceos em todos os lados, onde as estruturas familiares não estão ficando mais coesas, nem a estrutura da comunidade – disse ao USA Today Thomas Joiner, um pesquisador que estuda o suicídio – Isso é muito para lutar contra.
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