Sírios votam na primeira eleição municipal desde o início da guerra civil

DAMASCO — Com o arrefecimento da guerra civil, os sírios foram às urnas neste domingo para eleger as autoridades municipais pela primeira vez desde 2011. Os colégios eleitorais abriram pela manhã, às 7h pelo horário local, e ficaram abertas por 12 horas. Mas o pleito acontece apenas nas zonas controladas pelo governo do presidente, Bashar al-Assad, o que representa cerca de dois terços do país. Segundo a agência de notícias estatal Syrian Arab News Agency (Sana), são “mais de 40 mil candidatos que competem por 18.478 cargos em todas as províncias”.As últimas eleições municipais na Síria aconteceram em dezembro de 2011, no início da guerra civil que assola o país, deixando mais de 360 mil mortos e milhões de deslocados e refugiados em sete anos de combates. Com apoio de agentes externos, grupos armados se insurgiram no país, tomando controle de grande parte do território. O mais conhecido, o Estado Islâmico, chegou a controlar várias cidades no país e, desde novembro do ano passado, mantém sua “capital” e último reduto em Hajin, perto da fronteira com o Iraque.Na capital Damasco, que nunca esteve fora do controle de al-Assad, paredes estão cobertas por cartazes de candidatos, a maioria de políticos que tentam se manter nos cargos e filiados ao partido do presidente, o que provoca certo ceticismo entre parcelas da população.— Para que votar? Sejamos honestos, vai mudar algo? — se queixou Human, um sírio de 38 anos, em entrevista à AFP. — Todo mundo sabe que os resultados são conhecidos de antemão para um partido cujos membros venceram um processo que se parece mais com uma nomeação que uma eleição.Na televisão estatal foram exibidas imagens de eleitores exercendo o direito do voto em Damasco e nas cidades costeiras de Latakia e Tartus, bastiões tradicionais de al-Assad. Os novos conselheiros municipais terão mais responsabilidades que seus antecessores, principalmente na reconstrução e desenvolvimento urbano, prioridades para o presidente sírio.A última eleição presidencial aconteceu em 2014, com a reeleição de al-Assad para novo mandato de sete anos. Ele ocupa a presidência desde 2000, após suceder o seu pai, Hafez al-Assad.A guerra civil na Síria começou em março de 2011, com a forte repressão do governo contra manifestações que pediam reformas democráticas, na esteira da Primavera Árabe. Vários grupos pegaram em armas e receberam apoio financeiro e militar de outros países. Quase derrotado, al-Assad viu sua sorte mudar com a intervenção direta da Rússia, em 2015.Atualmente, a principal região fora de seu controle está na província de Idlib, no noroeste do país, onde a população e agências internacionais temem por um catástrofe humanitária em caso da ofensiva iminente das tropas do governo.
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