Senadores dos EUA debaterão apoio militar à Arábia Saudita no Iêmen


WASHINGTON — O Senado dos EUA respaldou uma resolução na quarta-feira para que seja debatido o apoio militar americano à Arábia Saudita na Guerra do Iêmen, na esteira da onda de indignação provocada pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no mês passado. A decisão vem como desafio ao presidente Donald Trump, um vocal aliado do reino de Riad. O gabinete do republicano argumenta que a retirada americana tornaria o conflito, que já deixou cerca de 10 mil mortos, ainda pior. Mais cedo, os secretários de Estado, Mike Pompeo, e de Defesa, Jim Mattis, haviam se reunido a portas fechadas com senadores para defender a posição do governo. Mas o debate sobre o apoio militar aos sauditas ganhou sinal verde do Senado, com 63 votos a favor e 37 contra. iemensaudita A votação não é, necessariamente, um indício de qual será o pronunciamento final dos senadores sobre a discussão. Mas sugere que há um mal estar na Casa, assim como uma vontade dos legisladores de enviar um recado ao governo para que tome uma postura mais firme em relação à Arábia Saudita. Em março passado, uma resolução similar não passara no Senado porque tivera só 44 votos favoráveis. Um dos que mudaram o voto foi o senador republicano Lindsey Graham, um dos mais leais defensores de Trump. — Os sauditas descarrilaram. Eles mataram mais civis neste ano do que em qualquer um dos anos anteriores na guerra no Iêmen — disse o senador democrata Chris Murphy. — Obviamente cometeram um erro estratégico gigante ao sequestrar e assassinar Jamal Khashoggi, o que fez muito mudar nos últimos meses até que chegássemos a este ponto. A Arábia Saudita é acusada de responsabilidade por mortes de civis durante bombardeios no Iêmen, mergulhado numa brutal guerra civil há quatro anos. A aliança pró-saudita lança ataques aéreos contra os rebeldes houthi, apoiados pelo rival Irã, que em 2015 haviam tomado o controle do país e forçado o presidente Abed Rabbo Mansour Hadi a fugir e se exilar em Riad. As milícias houthi têm o apoio do Irã, mas Teerã nega que elas lhes dêem apoio militar. Desde então, as batalhas levaram o país à crise humanitária e o fizeram sucumbir à fome. Os bombardeios mataram centenas de pessoas, embora as forças lideradas pelos sauditas digam não mirar em civis.— O sofrimento do Iêmen me dói, mas se os Estados Unidos não estivessem envolvidos no Iêmen, isto seria muito pior — disse Pompeo no encontro com senadores, no qual foram também discutidas as informações que o governo tem sobre a morte de Khashoggi, que era colunista do “The Washington Post” e foi morto dentro do consulado saudita na Turquia. — Este conflito não é opcional para a Arábia Saudita, e abandoná-lo também coloca em risco os interesses dos Estados Unidos.Segundo Pompeo, nenhum informe da Inteligência encontrou uma ligação direta entre o príncipe herdeiro do reino saudita, Mohammed Bin Salman, e a ordem de assassinar Khashoggi. Até agora, Trump mantém apoio tenaz para o príncipe. Os dois não planejam uma reunião oficial na reunião do G20, que acontecerá a partir de amanhã emBuenos Aires, mas não está excluída a possibilidade de uma reunião informal.Mattis chamou a Arábia Saudita de “um ator fundamental para manter a segurança regional e de Israel”, além dos “interesses americanos na estabilidade no Oriente Médio”.Este é um momento de expectativa internacional sobre a possibilidade de uma tentativa de diálogo de paz na Suécia entre as partes envolvidas na guerra gerar frutos. Participam das conversas os rebeldes houthis e o governo de Abd Rabbo Mansur Hadi, que tem reconhecimento da comunidade internacional. Em setembro, outra tentativa de paz fracassou depois que os houthis se negaram a se deslocar a Genebra, com o argumento de que a comunidade internacional não garantiria o seu retorno a Sana. O subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, Mark Lowcock, visitará o Iêmen nesta semana por três dias, num momento em que os esforços diplomáticos estão se multiplicando para acabar com a guerra. Além das 10 mil mortes já provocadas pela guerra, há cerca de 14 milhões de deslocados, e setores da população sofrem com a fome extrema.
Leia a notícia completa em O Globo Senadores dos EUA debaterão apoio militar à Arábia Saudita no Iêmen

O que você pensa sobre isso?