Sem patrocínio do BNDES, concurso internacional de piano não acontecerá este ano


RIO – Após cinco bem sucedidas edições, o Concurso Internacional BNDES de Piano não acontecerá este ano. A informação, divulgada pela coordenação do concurso, foi confirmada pelo banco, que alegou não ter sido possível seguir com o patrocínio “devido a limitações orçamentárias”. Segundo a pianista Lilian Barretto, presidente do instituto Arte Plena, que coordena o concurso, o esforço agora é no sentido de buscar uma outra forma de financiamento que garanta regularidade ao evento, que é bienal, para que ele não fique mais “ao sabor de crises políticas ou econômicas”.- O BNDES dá nome ao concurso, que nasceu de uma ideia do banco. Mas acho que eles também foram surpreendidos com a crise. E disseram que não tinham condições de mantê-lo – disse Lilian, explicando que não se tratava de um simples concurso. – Estava encaixado num conceito de economia criativa que ajudou a revelar e alavancar carreiras de seis ou sete pianistas com bolsas de estudos. Tudo como parte de uma forte ação estrutual de investimento na cultura do Brasil. O Concurso Internacional BNDES de Piano foi criado pelo banco em 2009, para promover o desenvolvimento social da arte através do mapeamento e descoberta de jovens talentos do piano brasileiro. Pianistas brasileiros como Fabio Martino, Ronaldo Rolim, Leonardo Hilsdorf e Lucas Thomazinho foram alguns dos que tiveram suas carreiras alavancadas nacional e internacionalmente através dele. Entre 2012 e 2016, o concurso ofereceu 13 bolsas de estudos para pianistas brasileiros em escolas e festivais renomados no exterior. Em 2010, comprou e doou 20 pianos para escolas de música do Rio de Janeiro.- O Instituto Arte Plena foi criado para ser gestor do concurso, pois o fundo cultural do BNDES só pode aprovar investimentos se o dinheiro for gerido por uma entidade sem fins lucrativos. De 2008 a 2016, levamos ideias ousadas e tivemos todo o apoio do banco. Mas a situação dele, assim como a do país, mudou – reconhece Lilian. – Agora temos que pensar em outras oportunidades para não dependermos de um patrocinador só. Visitei 15 empresas, e consegui apoio de duas. Mas não foi possível alcançar o valor necessário para o concurso, que em si não custa muito. As ações, como as bolsas de estudo, é que sim. Só em 2016, o patrocínio do BNDES para o concurso foi de R$ 2.793.089,92. Na ocasião, a disputa teve 150 candidatos, de 37 países. Foram distribuídos R$ 280 mil em prêmios. Confira a nota do Instituto Arte Plena: “Hoje, 29 de novembro, deveríamos iniciar a sexta edição do Concurso Internacional BNDES de Piano, em homenagem ao grande pianista brasileiro Arnaldo Estrella.Infelizmente, o concurso não ficou imune à séria crise política e econômica que atravessamos e, embora a coordenação geral do concurso tenha buscado e conseguido algum apoio em duas empresas brasileiras, não foi possível chegar a uma solução econômica que assegurasse a qualidade e excelência obtidas nas edições anteriores, que levaram o consurso a ter imensa credibilidade internacional e a ser considerado o mais importante certame da América Latina. Informamos que a presidência e o conselho consultivo do instituto Arte Plena, coordenador do concurso, estão neste momento organizando uma frente para buscar alianças com instituições culturais brasileiras de forma a garantir a regularidade e perenidade deste importante projeto de mapear e descobrir talentos pianísticos brasileiros e lhies oferecer oportunidades de aprimoramento artítico e construção de suas futuras carreiras. Nosso objetivo prioritário é anunciar em breve as novas datas do concurso para o período 2019/2010”.
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