Retrato da desigualdade: brancos têm dois anos a mais de estudo, revela IBGE

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RIO – O IBGE divulgou nesta sexta os resultados da temática de educação dentro da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Os dados são referentes ao segundo trimestre de 2017 e podem ser considerados um retrato das desigualdades de cor, gênero e região no Brasil.

Estudantes do sudeste passam 9,9 anos na escola, enquanto a média no nordeste é de 7,7 anos. Ainda segundo o levantamento, brancos estudam em média 10,1 anos, enquanto pretos e pardos têm 8,2 anos de estudo. E mulheres estudam o equivalente a meio ano a mais do que homens.

O instituto não apresenta os motivos que levam à desigualdade, mas aponta as razões apresentadas pelos entrevistados para não frequentarem mais a escola. Para homens, o principal motivo apresentado foi a busca de um emprego para sustentar a casa. Já entre as mulheres, além da busca pelo sustento, um quarto das entrevistadas afirmou não completar os estudos porque precisa cuidar da casa, ou de uma criança, ou de outra pessoa que precise de cuidados especiais. O relatório da pesquisa não apresenta essa diferenciação de motivos segmentando por cor ou por região.

Analfabetismo cai, mas não no ritmo necessário

No comparativo com o levantamento referente ao segundo trimestre de 2016, a taxa de analfabetismo nacional entre pessoas de 15 anos ou mais caiu 0,2%, chegando a 7,0%. O ritmo, no entanto, não é o suficiente para atender as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), que objetivava chegar 6,5% em 2015. Caso essa velocidade de redução se mantenha, a meta que era prevista para 2015 só seria atingida em 2021. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste já apresentam taxas dentro da meta, mas as regiões Norte e Nordeste apresentam, respectivamente, 8,0% e 14,5% de taxa de analfabetismo. Caberá ao Ministério da Educação, agora, analisar esses índices para elaborar políticas públicas que corrijam a disparidade.

Dentro das taxas de analfabetismo por grupos sociais, o que apresenta menor índice é o de homens brancos (3,9%), seguidos por mulheres brancas (4,1%), mulheres pretas ou pardas (9,0%) e homens pretos ou pardos (9,6%). A divisão em grupos também foi apresentada na análise de anos de estudos. Mulheres brancas são as que passam mais tempo na escola (10,2 anos), seguidas dos homens brancos (10 anos), depois mulheres pretas ou pardas (8,5 anos) e homens pretos ou pardos (8 anos).

Crianças fora da creche por falta de vagas

Segundo o levantamento, apenas 32% das crianças de até três anos estão na creche. Os entrevistadores perguntaram os motivos e, entre aproximadamente um terço dos responsáveis de crianças entre 2 e 3 anos (35% dos casos) a resposta foi que não havia creches por perto ou que não havia vagas na creche da região. Aproximadamente metade dos responsáveis (53%) responderam que seus filhos não estavam na creche porque eles não queriam. Entre responsáveis por crianças de 0 a 1 ano, 11,4% responderam que não havia escola por perto e 9,7% responderam que não havia vagas.


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