Recessão faz Brasil cair no ranking de países importadores

BRASÍLIA – A recessão que afetou a economia brasileira no ano passado fez com que o Brasil caísse da 25ª posição em 2015 e para o 28º lugar no ranking de países importadores, com 0,9% das importações globais, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Como país exportador, o Brasil seguiu na 25ª posição, com participação de 1,2% das vendas.

Ainda segundo a OMC, a queda de 9% das importações realizadas pela América do Sul foi puxada pelo enfraquecimento das compras do Brasil, que tiveram uma redução de 13%. As exportações brasileiras seguiram crescendo em volume, com aumento de 8% em 2015 e 4% em 2016. Porém, as vendas aos exterior dos demais países sulamericanos caíram 1,5% em 2016 e se mantiveram estáveis em 2015.

Para 2017, a OMC projeta um crescimento médio de 1,4% do volume das exportações na América do Sul, podendo variar entre 1,3% e 1,6%. Já as importações devem se manter no mesmo patamar do ano passado (crescimento estimado de 0,1%, e banda de -0,6% a +1.0%). Em 2018 as exportações da região devem crescer 2,2% e 2,6%, e a projeção é de que as importações aumentem entre 1,0% e 3,0%.

Conforme a OMC, o comércio mundial cresceu apenas 1,3%, devido, em parte a fatores cíclicos, como a desaceleração da atividade econômica, mas refletiu também mudanças estruturais mais profundas na relação entre comércio e produção econômica. No ano passado, a demanda global foi afetada pela queda nos gastos com investimentos nos Estados Unidos e pela redução da demanda por importações na China no primeiro trimestre do ano.Outros fatores, incluindo a estagnação das importações dos países em desenvolvimento (0,2%), também tiveram impacto no resultado.

“A Ásia e a Europa foram as únicas regiões que tiveram contribuição significativa para o crescimento das importações globais em 2016, com a Europa contribuindo com 1,6 ponto percentual (39% do aumento total) e a Ásia somando 1,9 ponto percentual (49% do total)”, diz um trecho do comunicado da OMC.

APESAR DAS INCERTEZAS, COMÉRCIO MUNDIAL DEVE CRESCER

O comércio internacional vai se recuperar nos anos de 2017 e 2018, na avaliação dos técnicos da OMC, mesmo com um cenário de incertezas políticas em boa parte do planeta. Para este ano, a estimativa da OMC é de um crescimento, em volume, de até 3,6%, ante uma fraca expansão de 1,3% em 2016. Para 2018, a alta projetada deve ficar entre 2,1% e 4%.

“A desaceleração das economias emergentes contribuiu para o ritmo lento de crescimento do comércio internacional em 2016, mas a expectativa é que esses países retomem um crescimento modesto em 2017”.

Apesar do otimismo em relação a 2017, os técnicos da OMC admitem que ainda é elevado o grau de incertezas no mundo, não só no campo político. Sem citar nomes, como o do assumidamente protecionista presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele destacam que a recuperação do comércio podem ser afetadas por medidas dos governos nas áreas econômica e comercial.

“O principal fator de risco para essas estimativas são incertezas políticas, incluindo a imposição de barreiras ao comércio e a adoção de políticas monetárias restritivas”, enfatiza a OMC.

Segundo a OMC, o rumo pouco previsível da economia global a curto prazo, assim como a falta de clareza sobre a ação dos governos nas áreas monetária, fiscal e comercial, aumentam o risco de que o comércio seja afetado negativamente em 2017. Taxas de juro mais elevadas para o combate à inflação em alguns países, políticas fiscais mais restritivas e a adoção de medidas que limitam o comércio têm a capacidade de minar o crescimento do comércio nos próximos dois anos, alertam os técnicos.

“As previsões mais promissoras da OMC para 2017 e 2018 são baseadas em certos pressupostos e há um risco considerável de que a expansão fique aquém dessas estimativas. Alcançar estas taxas de crescimento depende em grande medida da expansão do PIB global, em linha com as previsões de 2,7% para este ano e de 2,8% para o próximo ano”, diz o informe do organismo. “Esta estimativa do PIB pressupõe que as economias desenvolvidas mantenham políticas monetárias e fiscais relativamente expansionistas e que os países em desenvolvimento continuem a se recuperar da desaceleração recente”.

Fonte: O Globo

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