Qatar paga salários atrasados em Gaza para amenizar tensões na região


GAZA — O Qatar
enviou US$ 15 milhões (R$ 56 milhões) a servidores públicos palestinos na Faixa
de Gaza nesta sexta-feira. Segundo fontes palestinas ouvidas pela Reuters, o pagamento é a primeira parte de um
envio de US$ 90 milhões (R$ 336 milhões) que chegará à região nos próximos seis
meses com aprovação do governo israelense, que destacou que os recursos enviados
não chegará às mãos do Hamas, grupo islamista que controla a Faixa de Gaza.

Mahmoud
Abbas, presidente da Autoridade Nacional
Palestina — facção rival do Hamas baseada na Cisjordânia — ordenou cortes no
Orçamento da Faixa de Gaza que atingiram dezenas de milhares de funcionários
públicos. A medida ajudou a elevar as tensões na região nos últimos seis meses,
marcados por protestos, violência policial e disparos de foguetes contra o
território israelense.

Temendo que doações em dinheiro pudessem chegar às mãos do Hamas, Israel
tinha concordado com doações de materiais de construção civil e combustível.
Considerado um grupo terrorista no Ocidente, o Hamas enfrenta anos de embargo
promovido por Israel e pelo Egito, e durante anos recebeu financiamento de
outros países, como o Irã.

— Fiquei sem dinheiro para comida ou remédios para meus filhos, e agora vou
poder comprar comida, remédios e roupas — afirmou Wael Abu Assi, um
guarda de trânsito, que, como muitos em Gaza, enfrentou filas nos Correios para
retirar seus salários atrasados.

“Vida longa ao Qatar”,
gritaram jovens ao cumprimentar Mohammed
Al-Emadi,
responsável enviado pelo Qatar à
Faixa de Gaza. “Vida longa a Gaza”, respondeu o diplomata.

No entanto, quando seu comboio deixava a região, jovens apedrejaram o carro
que levava seus seguranças, indicando que nem todos em Gaza viram a intervenção
qatari com bons olhos. De acordo com a agência
oficial de notícias do emirado, as doações beneficiariam 27 mil servidores
públicos. “Os salários dos outros servidores serão pagos com receitas locais”,
afirmou a agência em comunicado.

Mais de 40 mil pessoas foram contratadas pelo Hamas em Gaza desde 2007, mas
muitos parecem ter sido excluídos da lista de beneficiários.

— Eles dizem que não têm meu dinheiro — afirmou um servidor em condição de
anonimato. — Será que Israel vetou meu nome?

GazaMembros do Hamas, do governo do Qatar e
autoridades israelenses têm evitado se manifestar sobre detalhes dos pagamentos
a Gaza. Mas um membro do Gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin
Netanyahu,
diminuiu sua importância.

— Esse dinheiro não irá para atividades do Hamas. É dinheiro que irá para os
salários de servidores públicos, de maneira organizada — afirmou o ministro do
Meio Ambiente, Zeev Elkin à rádio 102 FM, de Tel Aviv.

Elkin
acusou Abbas —
cujas negociações de paz com Netanyahu
congelaram em 2014, e que boicota os Estados Unidos por suas políticas pró-Israel — de cortar os salários para “inflamar
Gaza, já que não foi bem sucedido em outras frentes”.

— Os qataris
vieram e disseram: “Estamos dispostos a pagar por isso no lugar de Abbas, para acalmar Gaza” — afirmou Elkin. — Que diferença faz quem paga?

Wael Abu
Youssef,
membro da comissão executiva da Organização pela Libertação da Palestina,
criticou a medida, afirmando que acordos com o Qatar e outros países “prolongam a crise da
divisão palestina”.

A doação de Doha, assim
como a mediação de trégua realizada pelo Egito e as chuvas de inverno, ajudaram
a minimizar a violência na fronteira, onde os médicos de Gaza afirmam que mais
de 220 palestinos foras mortos por soldados israelenses desde o início dos
protestos em 30 de março. Israel, que alega que o uso de força letal impede a
infiltração armada em seu território, perdeu um atirador de elite e teve áreas
rurais e florestas incendiadas por meio de materiais inflamáveis lançados
através da fronteira por meio de pipas e balões de gás.

— Esse é um dos frutos da Marcha do Retorno — afirmou o policial Abraham Baker, que
recebeu um salário completo, usando o termo palestino para os protestos.


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