Protesto de empresários e taxistas em apoio a caminhoneiros bloqueia tráfego no Centro Cívico pela 2ª vez em Boa Vista

Segundo ato de apoio a caminhoneiros e contra alta no combustível ocorre desde às 15h desta segunda (25). Detran está no local. Motoristas autônomos estacionaram caçambas lado a lado e bloqueiam Centro Cívico de Boa Vista na tarde desta segunda-feira (28)
Marcelo Marques/G1 RR
Um protesto de apoio à greve dos caminhoneiros e contra a alta dos combustíveis bloqueou o Centro Cívico pela segunda vez em Boa Vista nesta segunda-feira (28). O ato ocorre desde às 15h (horário local) e reúne taxistas, estudantes, motoristas autônomos e empresários que colocaram veículos pequenos e caminhões para bloquear o tráfego.
Pela manhã, estudantes, pedestres, caminhoneiros, motoristas de táxis-lotação, táxis convencionais e de aplicativos participaram de um ato no mesmo local e também impediram o tráfego na via das das 9h às 10h50 (hora local).
Nesta segunda, os caminhoneiros que estão paralisados no KM 483 da BR-174 decidiram manter a mobilização mesmo com a nova proposta anunciada pelo Governo Federal na noite de domingo (27). Entre as medidas anunciadas por Michel Temer (MDB) estão a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias, e a isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios.
Para bloquear o tráfego no Centro Cívico, motoristas autônomos estacionaram caçambas umas ao lado das outras em frente à sede dos Correios e taxistas fizeram o mesmo um pouco mais adiante, em frente a sede da Assembleia Legislativa de Roraima.
Uma viatura da Polícia Militar esteve por alguns minutos no local, mas depois saiu. Segundo um dos organizadores do protesto, Francisco Sousa, 500 pessoas participam do manifesto. ma equipe do Departamento Estadual de Trânsito em Roraima (Detran) acompanha o ato.
O gerente de uma empresa de materiais de construção, Carlos Assunção, esteve no manifesto e disse que o ato também é para demonstrar a insatisfação com a carga tributária imposta aos empresários e a população em geral.
“Apoiamos os caminhoneiros, pois também estamos insatisfeitos com nossa classe política e com essa carga tributária que não dá retorno a população”, disse.
O representante dos motoristas de caçambas, Márcio Barbosa, disse que o ato no Centro Cívico também cobra do governo estadual isente a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis.
“Essa é uma reivindicação que mexe com toda a construção civil, que vai do pedreiro ao motosita de caçamba”, disse.
Taxistas estacionaram veículos em frente à Assembleia Legislativa e ato de apoio à greve dos caminhoneiros em Boa Vista
Marcelo Marques/G1 RR
Empresas fecharam mais cedo
Além da manifestação e bloqueio do tráfego no Centro Cívico, dezenas de empresas fecharam as portas mais cedo na tarde desta segunda-feira (28). Lojas do ramo de eletrônicos, segurança, celulares e construção civil no Centro e zona Oeste da capital encerram as atividades por volta das 12h (horário local).
De acordo com o diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Laércio Gentil, empresários encerram o atendimento a clientes e apoio à greve dos caminhoneiros e em protesto para evitar que o governo federal aumente os impostos de empresas para cobrir a perda que terá com a redução anunciada para o preço do diesel.
“Como governo federal atendeu a demanda de subsidiar o preço do diesel, ele vão perder arrecadação e esse dinheiro vai ter que vir de outro lugar, que são as empresas. Então, nossa mobilização é para que o governo corte os próprios custos e não que isso recaia sobre nós”, disse Gentil.
Somente um empresário do com lojas especializadas em comércio de celulares e acessórios fechou mais cedo seis estabelecimentos pela cidade, informou a CDL.
Empresários fecharam lojas mais cedo na tarde desta segunda-feira (28), em Boa Vista
Arquivo pessoal
Reflexos da greve
Até esta segunda, o principal impacto causado pela greve dos caminhoneiros no estado é sobre abastecimento de combustíveis. Segundo o Sindicato dos Postos de Combustíveis (Sindipostos), são inúmeros os postos vazios na capital, apesar de alguns terem recebido reposição de estoque nos últimos dias. Motoristas relatam longas filas e a venda de combustíveis por cotas.
Por outro lado, os caminhoneiros que mantêm o protesto na BR-174 dizem que caminhões com perecíveis, combustíveis, insumos hospitalares e produtos químicos para o tratamento de água são liberados gradativamente para evitar o desabastecimento desses itens no estado. Isso foi acordado com o governo do estado na sexta-feira (25).
Desde a segunda (21), quando começou a mobilização dos caminhoneiros no estado, ainda não houve cancelamento de aulas em escolas estaduais ou municipais, e nem prejuízo em serviços básicos como hospitais, fornecimento de energia elétrica, e abastecimento de água no estado.
No entanto, na sexta-feira só 80% da frota de ônibus ficou em circulação e 50% no fim de semana. Hoje os ônibus circulam normalmente, mas os táxis-lotação e os convencionais estão com apenas 70% e 60% da frota nas ruas, respectivamente.
Bloqueio do tráfego no Centro Cívico de Boa Vista também tem apoio de estudantes na tarde desta segunda-feira (28)
Marcelo Marques/G1 RR
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