Proposta de limitar tarifas bancárias faz bolsa mexicana e peso despencarem


CIDADE DO MÉXICO — A proposta apresentada pelo partido do presidente eleito do México, Andres Manuel Lopez Obrador, na quinta-feira, que restringe a cobrança de tarifas bancárias cobradas dos clientes por determinados serviços provocou uma forte queda na Bolsa de Valores do México e contribuiu para a queda do peso. A notícia atingiu em cheio as ações de grupos financeiros e arrastou a bolsa mexicana, que registrou queda de 5,81%, a maior desde agosto de 2011. O peso, por sua vez, perdeu quase 1,5%, pressionado também por um dólar fortalecido após a reunião de dois dias do Federal Reserve (FED), o banco central americano. As perdas se aprofundaram depois que a iniciativa foi apresentada no Senado.

Os papéis de grupos financeiros locais, como o Banorte, que administra o segundo maior banco do país, retrocederam 11,90%, enquanto que as do Santander perderam 8,12%. As ações da Inbursa, parte dos negócios do milionário Carlos Slim, caíram 10,08%.

O projeto proposto no Senado pela bancada do Movimiento de Regeneración Nacional (Morena), partido de Obrador, propõe que os bancos deixem de cobrar tarifas por consulta de saldos, transferências interbancárias ou saques em dinheiro, entre outros serviços, e que o banco central (Banxico) e a Comissão de Valores estabeleçam regras para reduzir anualmente a cobrança das taxas sobre os saques e consultas de saldo.

— É gravíssimo. É outra mensagem negativa aos mercados — disse Sergio Zermeño, analista especializado em bancos e mercado financeiro.

Em um breve comunicado, a Associação de Bancos do México (ABM) disse que “analisa o conteúdo deste projeto para identificar seu escopo, estabelecer suas possíveis implicações e dialogar com os atores relevantes”. A Comissão Nacional de Bancos e Valores Mobiliários (CNBV) se recusou a comentar a iniciativa.

O futuro secretário do Tesouro, Carlos Urzúa, leu um comunicado da equipe econômica de Andrés Manuel López Obrador, onde disse que contatou os líderes do Congresso para organizar um esforço coordenado com as equipes técnicas do Ministério da Fazenda para ser consultado previamente sobre iniciativas que possam afetar as finanças públicas.

—Mesmo que reconheçamos que sua intenção é tentar melhorar as condições de vida dos mexicanos, esse objetivo não é necessariamente alcançado se os impactos nas finanças públicas e a estabilidade do setor financeiro não forem levados em conta — afirmou Urzúa.

Com ‘muita calma’

Depois da reação dos mercados financeiros, o coordenador do partido de López Obrador no Senado, Ricardo Monreal, disse que eles não “precipitarão” a aprovação da norma.

— Vamos ouvir as instituições financeiras, os grupos econômicos, vamos ouvir todos antes de aprovar a opinião, antes da discussão em comissões (do Senado)”, disse Monreal. – Vamos agir com muita calma, cautela e grande prudência — acrescentou.

De acordo com a organização defensora dos usuários do sistema financeiro, a Condusef, em média, 30% das receitas dos bancos no México vêm da arrecadação de tarifas. A Condusef aponta que 39% da renda total do Santander no país é gerada por tarifas, enquanto que para o espanhol BBVA Bancomer é de 36%. Para o Banamex, subsidiária da US Citi, e para o HSBC, é de 33%. Para os bancos mexicanos, como o Banorte, a receita de serviços representa 31% da receita total, segundo a agência, enquanto para a Inbursa, do milionário Carlos Slim, é de 30%.

— Estamos confiantes e convencidos de que esta iniciativa é essencial para tornar mais justa a relação entre as pessoas e o banco”, disse o senador Bertha Caraveo, introduzindo o projeto e citando “um abuso alarmante e excessivo de encargos bancários em detrimento aos mexicanos”.

O documento, assinado por Monreal, também propõe proibir encargos aos estabelecimentos que não faturem um montante mínimo pela utilização do terminal e suspender o cálculo dos juros de mora nos primeiros cinco dias úteis após o vencimento do prazo para pagamento.

Analistas disseram que a iniciativa não é um bom sinal após o cancelamento do projeto do novo aeroporto da Cidade do México, uma iniciativa de US$ 13,3 bilhões, por parte do futuro governo, que assumirá em 1º de dezembro e será liderado pelo esquerdista López Obrador .

— O sinal não é dos melhores, você tem muitas dúvidas para a nova administração que já está afetando a valorização das empresas ligadas às concessões — disse Carlos Ponce, sócio fundador do SNX, um fundo de investimento independente.


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