Profissão Repórter registra conflitos e problemas em duas áreas indígenas


No Amazonas, a repórter Mayara Teixeira mostra uma guarda indígena que tenta combater a violência. No Mato Grosso do Sul, o repórter Julio Molina aborda a questão de conflitos por terra. Profissão: Repórter – Problemas e conflitos em duas áreas indígenas – 26/09/2018
A cidade de Tabatinga, no Amazonas, está na fronteira entre o Brasil, Colômbia e Peru. Uma estrada de 30 km liga as comunidades indígensa Umariaçu 1 e 2. Há um ano e meio, 45 voluntários se reúnem todas as noites no centro da comunidade para fazer uma ronda pela aldeia, onde vivem cerca de seis mil índios ticunas. A repórter Mayara Teixeira acompanhou as atividades.
A ronda tenta evitar a venda de bebidas alcóolicas e drogas, o que é proibido em reservas indígenas. Um dos problemas revelados pela equipe do Profissão Repórter é que essa guarda indígena entra na casa das pessoas baseadas nas próprias suspeitas, sem autorização. Em uma das rondas, um morador foi abordado apenas por ser homossexual.
Esse modelo de guarda existe desde 2008. Após diversas queixas de abuso, o Ministério Público acabou com a patrulha, porém com o aumento da criminalidade, a guarda voltou a existir de acordo com a vontade da maioria da comunidade.
Hoje, a sede da guarda indígena está sendo construída com a contribuição dos próprios índios. A maioria dos crimes são de enforcamento, envenenamento e esfaquemaento. Quando um morador é pego bêbado ou sob o efeito de drogas, ele pode passar até 48 horas na prisão da guarda sem comer, beber ou ter um espaço reservado para as necessidades fisiológicas.
De acordo com o tenente coronel Nilo Corrêa, comandante do batalhão da área, “tinha uma visita da polícia militar, mas que não podia ser constante em decorrência das vias muito mal cuidadas, praticamente intrafegáveis. Quando a viatura ia lá, ou ela atolava ou quebrava então nós tinhamos uma dificuldade de manter um patrulamento ostensivo”.
Do índio ou do fazendeiro?
Em Caarapó, no Mato Grosso do Sul, um vídeo mostra um helicóptero da polícia militar dando rasantes no terreno de uma fazenda ocupada por indígenas. O vídeo registra o barulho de tiros e em seguida um índio grita para os outros fugirem. As gravações foram feitas pelos indígenas.
O repórter Julio Molica foi até a fazenda Santa Maria conversar com os proprietários, que preferiram não falar com a equipe. Já os funcionários da propriedade afirmam que os indios atearam fogo, roubaram animais e mantiveram os trabalhadores da propriedade em cativeiro. Imagens feitas pela polícia mostram indígenas colocando fogo no matagal, na área da fazenda.
A questão, no entanto, é mais antiga: onde fica a propriedade, antes era o Paraguai, até o Brasil ganhar a guerra no século XIX. Naquela época, só viviam índios no Mato Grosso do Sul e isso começou a mudar com uma política do Brasil, ao longo de boa parte do século XX, de trazer colonos brancos e colocar indígenas nas reservas. Os índios reclamam que essas reservas são pequenas demais para a população e desde a década de 1970, eles têm lutado para recuperar as suas terras tradicionais, onde viviam os seus antepassados.
A reserva Carapó, por exemplo, foi demarcada na década de 1920. Uma outra área indíginea, 15 vezes maior, já foi delimitada, mas não demarcada. Os conlfitos tendem a ocorrer além dos limites das comunidades, onde há diversas fazendas.
Quem conta histórias de luta por terra pelos indígneas é Gilmar Galache e Eliel Benites. Os dois repórteres participaram do GloboLab: Profissão Repórter, programa que selecionou estudantes e repórteres comunitários de todo o país para uma imersão na redação do Profissão.
Gilmar e Eliel são fundadores de uma associação que tenta dar ferramentas aos índios para que eles narrem as suas próprias histórias. “A gente faz um cinema voltado para o fortalecimento do nosso jeito de ser. E diante a questão territorial no Mato Grosso do Sul que é bastante conflituosa, a gente acaba produzindo material de conflito, de denúncia, para garantia do nosso território”, conta Gilmar. Confira o vídeo da reportagem completa acima.
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